A ostentação que dominava redes sociais e letras de funk ganhou contornos bem menos glamourosos após a Polícia Federal deflagrar, na quarta-feira (15), a Operação Narco Fluxo. O alvo: uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão oriundos do crime organizado — com direito a influenciadores, artistas e muito luxo de procedência questionável.
Entre os nomes que caíram na rede estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa. Segundo a PF, por trás das postagens milionárias e da vida de vitrine, havia um esquema robusto de ocultação de dinheiro ilícito.
O balanço da operação escancara o tamanho da engrenagem:
Entre os itens mais chamativos estão uma Mercedes-Benz G63 rosa, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, e até uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren — ambos encontrados na mansão de Chrys Dias.
Já na casa de MC Ryan SP, a apreensão que mais chamou atenção foi um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar, emoldurada pelo mapa de São Paulo. Um símbolo que, para a polícia, diz mais do que qualquer legenda de Instagram.
A ofensiva é desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, realizadas entre 2023 e 2024. Ao todo, 200 policiais federais cumpriram 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.
A investigação corre na 5ª Vara Federal de Santos, que também determinou o bloqueio de bens para evitar que o patrimônio — agora sob suspeita — evaporasse.
De acordo com a PF, o grupo utilizava o universo do entretenimento como fachada para lavar dinheiro oriundo, principalmente, do tráfico internacional de drogas — mais de três toneladas de cocaína enviadas ao exterior — além de apostas ilegais e rifas digitais.
Entre os mecanismos utilizados:
Após as prisões, os perfis de MC Ryan SP e Chrys Dias no Instagram simplesmente desapareceram. Juntos, somavam quase 30 milhões de seguidores — uma vitrine que, até então, vendia sucesso, luxo e ascensão meteórica.
Agora, o que resta é a clássica mensagem: “conteúdo indisponível”.
A Meta, responsável pela plataforma, preferiu não comentar.
As defesas seguem a cartilha esperada. MC Ryan SP afirma que todas as suas movimentações são lícitas e comprováveis. O advogado de MC Poze do Rodo diz que ainda não teve acesso ao processo, mas promete reação judicial.
Já Raphael Sousa sustenta que sua relação com os investigados era apenas comercial, limitada à venda de publicidade. A defesa de Chrys Dias não foi localizada.
REDAÇÃO + jampanews