DEFESA DA SOBERANIA – Lula critica tarifas dos EUA e diz que Brasil não é obrigado a aceitá-las

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira (10) as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que o Brasil não tem obrigação de aceitar as medidas. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, o Conselhão.  

Ao comentar o aumento das tarifas anunciado pelo governo dos Estados Unidos, Lula defendeu a soberania nacional e afirmou que a decisão americana não deve ser recebida passivamente pelo país. Segundo o presidente, a medida afeta diretamente os trabalhadores brasileiros e merece uma resposta baseada no respeito e na dignidade.

Durante o discurso, o chefe do Executivo afirmou: “Essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui com os trabalhadores brasileiros”.

Lula cobra estudo sobre trabalhadores americanos

Além de criticar as tarifas, o presidente pediu a elaboração de um levantamento sobre salários e direitos trabalhistas nos Estados Unidos. Lula questionou os critérios utilizados pelas autoridades americanas para aplicar sanções comerciais a outros países.

“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do que ganha um trabalhador americano”, declarou.

Em seguida, ele voltou a questionar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a adoção das medidas comerciais. “Eu quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos tem para vir um tal de diretor financeiro não sei das quantas impor multa, impor multa contra o desmatamento.”

Lula também fez referência às críticas relacionadas à preservação ambiental. “Será que eles não percebem que eles já estão carecas e que nós ainda estamos como jogador, cortando só um pedacinho [de cabelo] aqui do lado?”, acrescentou.

Tarifaço dos EUA atingiu dezenas de parceiros comerciais

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos anunciou um novo pacote de tarifas contra cerca de 60 parceiros comerciais, entre eles o Brasil. O documento que embasa a recomendação das taxas apresenta uma série de críticas ao ambiente regulatório brasileiro.

Entre os pontos levantados pelos norte-americanos estão alegações de insegurança jurídica, suposto favorecimento ao sistema de pagamentos Pix, concessão de tarifas preferenciais consideradas injustas, problemas relacionados ao combate à corrupção, demora na concessão de patentes, pirataria, questões envolvendo o mercado de etanol e preocupações ambientais.

Após a divulgação das medidas, o governo brasileiro realizou uma reunião de emergência para discutir possíveis respostas e contestou as acusações apresentadas pelos Estados Unidos.

Desmatamento está entre os principais pontos de divergência

Entre as críticas feitas por Washington está a avaliação de que o Brasil não estaria atuando de forma suficiente para impedir invasões de terras e a extração ilegal de madeira.

Os Estados Unidos também apontam que produtos agrícolas oriundos de áreas desmatadas ilegalmente poderiam alcançar o mercado internacional com custos menores, criando uma concorrência considerada desleal para produtores americanos que seguem exigências ambientais e legais mais rígidas.

Em resposta, o governo brasileiro destacou que estabeleceu, desde 2023, a meta de zerar o desmatamento até 2030 e afirmou que os compromissos vêm sendo cumpridos. Segundo dados citados pelo Executivo, o desmatamento na Amazônia Legal já foi reduzido em aproximadamente 50% na comparação com os índices registrados em 2022.

O governo também informou que a área queimada em todo o território nacional apresentou queda de cerca de 40% em 2025, quando comparada à média observada entre 2017 e 2024, reforçando a defesa de que o país tem avançado nas políticas de preservação ambiental.

 

 

REDAÇÃO + brasil247