Volta da CPMF: Cássio acredita que Congresso Nacional resistirá a retorno do tributo, mas o apoiou quando era governador. VEJA

Cássio Cunha Lima 1

O anúncio da volta da CPMF pelo governo federal fez o senador Cássio Cunha, líder do PSDB, reagir de forma contrária ao imposto. “As chances de aprovação de mais carga tributária, como a volta da CPMF, são bastante limitadas no Congresso”, analisou.

O senador tucano também defendeu um debate com a sociedade para discutir as propostas apresentadas pelo governo. “O caminho de ajuste via aumento de carga tributária é muito mal visto pela sociedade e pelo Congresso. Teremos que conhecer mais de perto as propostas e se há um fundo de credibilidade do governo para pôr em prática essas propostas. Teremos que ouvir todos os setores da sociedade”, afirmou Cássio.

Dentre as medidas anunciadas pelo governo para cortar em R$ 26 bilhões os gastos púbicos do orçamento do próximo ano estão adiamento do reajuste do salário dos servidores públicos, de janeiro para agosto de 2016; suspensão de concursos públicos; redução de repasses para o programa Minha Casa, Minha Vida e gasto constitucional com saúde.

MUTATIS MUTANDI

print

Clique na imagem para ampliá-la

O posicionamento do senador Cássio Cunha Lima destoa total e absolutamente do então governador Cássio Cunha Lima, em 2007, como se pode ver em matéria da Folha de São Paulo do dia 23 de novembro.

Governador tucano defende cobrança da CPMF e expõe divisão do PSDB

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Ouvir o texto

A convenção do PSDB mostrou nesta sexta-feira a divisão do partido em relação à proposta que prorroga a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011. Na mais enfática defesa da manutenção do “imposto do cheque”, o governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) fez duras críticas à postura dos senadores tucanos contrários à matéria.

Por outro lado, lideranças do PSDB –como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso– afirmaram que o governo não ofereceu concessões suficientes para que os tucanos aprovem a prorrogação.

“Você tem cinco governadores defendendo a manutenção da CPMF e a bancada do PSDB [no Senado] faz ouvido de mercador para isso. Estamos diante de um impasse grave para nos organizar”, disse Cunha Lima. O governador afirmou que seria uma “incoerência” o PSDB criticar a prorrogação da CPMF já que foi o próprio partido criou o “imposto do cheque” na gestão FHC.

“A minha posição é algo que não pode faltar ao PSDB: coerência. Se o Alckmin tivesse sido eleito, essa discussão da CPMF não estaria existindo [no partido]. Nós criamos o imposto, não fica bem adotar uma posição contraditória”, enfatizou o governador.

O ex-presidente FHC, por sua vez, minimizou o impasse no partido sobre a prorrogação da CPMF ao afirmar que o governo federal não cedeu aos apelos de redução da carga tributária –por isso não terá o apoio dos tucanos na votação. “Não há divisão nenhuma. Os governadores têm seus interesses, mas a condução [da votação] será dada pelos líderes políticos. A posição da bancada é clara de que há excesso de arrecadação. O governo foi imune ao não atender o pedido do PSDB e não ceder nada”, disse.

Na opinião do ex-presidente, o governo federal defende a prorrogação da CPMF sem priorizar os gastos na área de saúde. “O governo quer só dinheiro por mais dinheiro, aí eu não vejo razão para se prorrogar. O que precisa agora é melhorar a qualidade do gasto”, defendeu.

Em um tom mais ameno na defesa do “imposto do cheque”, o governador Aécio Neves (PSDB-MG) disse que ainda há margem de negociação com o Palácio do Planalto para que os tucanos decidam sobre a prorrogação da CPMF. “O governo tem que meter a mão no bolso, o que não fez até agora. Se estiver disposto a isso, o PSDB tem por obrigação discuti-la. Eu acho que o PSDB não tem que aceitar o patrulhamento. Se é bom para o país, vamos discutir.”

Já o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que não há possibilidade dos 13 senadores tucanos votarem a favor da manutenção da CPMF. “Os governadores decidem onde se faz viadutos, e os senadores como votam a CPMF. Não houve pressão de governador nenhum a nós, deveriam ter feito isso antes.”