O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, determinou, nesta segunda-feira (8), a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação da pesquisa do Instituto AtlasIntel, que apontou, em maio, uma queda de cinco pontos nas intenções de voto do pré-candidato do PL, o senador Flávio Bolsonaro.
Com a decisão de Nunes Marques, a empresa não poderá mais manter os dados em seus canais oficiais. O levantamento da AtlasIntel foi divulgado após o vazamento de um áudio de uma conversa do senador pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Na decisão, Nunes Marques afirma que há indícios de indução para a contaminação das respostas, comprometendo a metodologia da pesquisa. O ministro disse que “a controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.
O presidente do TSE ressaltou que outras 27 pesquisas feitas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor da pesquisa questionada e nem veicularam áudio.
A decisão do ministro deve ser levada a referendo do plenário do tribunal na sessão desta terça-feira (9).
Nunes Marques atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL), que alegou que o questionário do instituto teria sido estruturado para induzir respostas negativas sobre o senador, criando uma narrativa acusatória.
Segundo o PL, das 49 perguntas, 8 envolviam diretamente o Banco Master e soram apresentadas em sequência, influenciando a percepção dos entrevistados e não só medindo a percepção dos entrevistados. O instituto entrevistou 5.032 eleitores do Brasil de 13 a 18 de maio. A margem de erro é de 1 ponto percentual e o nível de confiança é de 95%.
O PL disse que houve uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira;
Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura.
“A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”, disse o partido.
O instituto terá que enviar ao TSE documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, esclarecendo o uso do áudio. O Ministério Público Eleitoral também vai se manifestar no processo.
REDAÇÃO + iclnoticias