REINALDO AZEVEDO – “Flávio Bolsonaro defende tarifas contra o Brasil e é um traidor da Pátria”

O jornalista Reinaldo Azevedo criticou duramente a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate sobre a eventual imposição de tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil, afirmando que o parlamentar não se opôs às medidas e tampouco rebateu as justificativas apresentadas por Washington. 

Segundo o colunista, Flávio Bolsonaro não usou sua manifestação na USTR, órgão comercial dos Estados Unidos, para defender o Brasil diante das acusações norte-americanas. Para Azevedo, o senador apenas pediu que as punições não fossem aplicadas imediatamente, o que, na avaliação do jornalista, revela uma postura de alinhamento político aos interesses dos EUA.

Reinaldo afirma que o parlamentar não contestou os argumentos usados por Washington em temas como tarifas preferenciais, meio ambiente, meios de pagamento e corrupção. “Flávio Bolsonaro não criticou a eventual imposição de tarifas pelos Estados Unidos contra o Brasil em sua intervenção no USTR. Ele não dedicou uma miserável frase à contestação”, escreveu o jornalista.

Na avaliação do colunista, a fala de Flávio Bolsonaro não representou uma defesa dos interesses nacionais. Ao contrário, Azevedo sustenta que o senador teria adotado uma posição que apenas buscava adiar as medidas comerciais, sem enfrentar sua legitimidade. O jornalista interpreta a posição do parlamentar como um recado político vinculado à disputa presidencial.


Reinaldo resume o sentido que atribui à manifestação de Flávio da seguinte forma: “Se o Lula vencer, mandem ver. Mas esperem ao menos 90 dias para saber se não haverá um governo de quatro para os EUA: o meu”. A frase aparece no texto como uma interpretação crítica do colunista, e não como uma declaração literal do senador.

O ponto central da crítica é que Flávio Bolsonaro teria tratado a adoção de tarifas como inadequada apenas no momento atual, e não como uma medida injustificável contra o Brasil. Para Reinaldo, ao afirmar que este seria o “pior momento” para as punições, o senador deixaria implícita a existência de um momento considerado mais conveniente para sua aplicação.

Azevedo também afirma que outros brasileiros e até norte-americanos se posicionaram contra as tarifas, mas que Flávio Bolsonaro não seguiu essa linha. “Flávio foi o único brasileiro a falar na USTR a não se opor às tarifas”, escreveu o colunista.

O jornalista critica ainda a postura do senador em relação ao Pix e aos meios de pagamento. Segundo ele, a defesa pública feita por Flávio Bolsonaro ao sistema brasileiro teria sido anulada por um documento de 86 páginas que, na avaliação de Reinaldo, favoreceria os interesses das empresas de cartão de crédito.

Na coluna, Azevedo também contesta a menção feita por Flávio ao tema da corrupção. O jornalista afirma que o senador teria endossado uma visão negativa sobre o Brasil justamente no dia em que um aliado político foi alvo da Polícia Federal, além de mencionar o Caso Master em sua argumentação.

Reinaldo associa a postura de Flávio Bolsonaro a uma tradição de submissão política do bolsonarismo aos Estados Unidos, especialmente ao trumpismo. O colunista cita o ex-chanceler Ernesto Araújo como exemplo dessa orientação e afirma que integrantes desse campo político buscam, há anos, uma relação de dependência em relação a Washington.

O texto também questiona os possíveis custos de uma política externa subordinada aos interesses norte-americanos. “Quanto vale entregar as terras raras? Quanto vale entregar o Pix? Quanto vale fazer a vontade dos cartões de crédito?”, escreveu Azevedo.

A crítica se estende a setores empresariais brasileiros, especialmente do agronegócio, que mantêm apoio político ao bolsonarismo mesmo diante de riscos comerciais que poderiam atingir diretamente produtores nacionais. Reinaldo menciona a CNA, principal entidade representativa do setor, ao apontar a contradição entre o alinhamento político e a ameaça de medidas tarifárias dos Estados Unidos.

Para o colunista, os argumentos apresentados pelos EUA contra o Brasil poderiam ser rebatidos com dados e fatos, mas Flávio Bolsonaro não teria feito esse esforço. A avaliação de Reinaldo é que o senador preferiu preservar uma relação política com Washington a assumir uma defesa direta da economia brasileira.

A coluna sustenta que, ao não rejeitar as tarifas e apenas pedir que elas fossem postergadas, Flávio Bolsonaro acabou reforçando a interpretação de que aceita punições contra o Brasil em determinadas condições políticas. Para Reinaldo Azevedo, a manifestação do senador expõe uma posição contrária aos interesses nacionais em um momento de tensão comercial entre Brasília e Washington.


REDAÇÃO + brasil247