Assim como no Brasil, a Paraíba tem também sua encruzilhada eleitoral a superar em 2018. Dois caminhos se apresentam ao eleitor paraibano nessa eleição: continuar avançando com governos que representam novos atores sociais, de identidade mais republicana e democrática, ou retornar a um passado nem tão distante de governos onde predominaram práticas familísticas e oligárquicas, a Paraíba do cassismo e do maranhismo.
O candidato a governador pelo PV, Lucélio Cartaxo, construiu sua trajetória desde estudante no mesmo campo político do governador Ricardo Coutinho. Ao lado do irmão Luciano Cartaxo, venceu eleições até conquistarem a Prefeitura de João Pessoa. Ao abandonarem o PT no momento mais difícil de sua história para apoiar o impeachment de Dilma Rousseff, ficou ali estabelecida não apenas a marca da traição a um partido sem o qual eles nada seriam na política, em troca da opção pelo passado. Não por acaso, Lucélio e Luciano Cartaxo, ainda que poucas rugas ele tenham na face, passaram a apoiar e a ser apoiado por Cássio Cunha Lima e, por isso, representam o passado que a Paraíba, desde 2010, procura superar.
Há pouco a acrescentar sobre a candidatura de José Maranhão. O fato de não representar nem apresentar nada de novo nessa campanha é um indício muito sério de que o candidato do PMDB representa − de novo − também o “velho” nessa eleição. Diferente de Lucélio, Maranhão traz no rosto as rugas que só a experiência de uma longa vida pública é capaz de produzir. Mas, infelizmente, não há nessa experiência a sedução do discurso de mudança e transformação que possa encantar as novas e as velhas gerações, cansadas das mesmas pessoas e do mesmo discurso vazio de conteúdo mudancista. À longevidade na política, Maranhão não agregou o rejuvenescimento que só as ideias e as práticas novas são capazes de oferecer a um candidato de idade avançada. Nessa eleição, Maranhão é o velho não porque tem 84 anos de idade e mais de 50 de vida pública, mas porque foi incapaz de se renovar como político.
Sobre Tárcio Teixeira, o candidato do PSOL, apesar dos avanços, é forçoso reconhecer que ele continua a falar para os nichos eleitorais do partido, o que explica em grande medida a incapacidade que o PSOL tem demonstrado para crescer eleitoralmente no Nordeste.
Vou de João Azevedo, portanto. Primeiro, porque não desejo que a Paraíba retroceda politica e administrativamente e volte a ser governada pelas forças do conservadorismo e do atraso político. E, segundo, porque João conseguiu reunir em torno de sua candidatura forças políticas suficientemente fortes para dar prosseguimento ao projeto de mudança ora em curso, que tem promovidos importantes avanços, sobretudo na cultura política do estado, o que tem sido essencial para consolidar as ideias que Ricardo Coutinho introduziu e que agora a candidatura de João Azevedo representa. Voto João, por fim, porque essa eleição pode encerrar um ciclo de embates com os grupos tradicionais, que, derrotados, deixarão de polarizar as disputas eleitorais e abrirão caminho para o surgimento de novas lideranças.
* Prof. universitário/cientista político