Um esquema de fraude conhecido como “indústria do limpa-nome” está sendo investigado na Paraíba e em outros estados do Nordeste. A prática consiste em obter liminares judiciais que retiram temporariamente dívidas dos registros de órgãos de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, sem que elas sejam efetivamente canceladas. O resultado é que o consumidor aparece como “nome limpo” nos cadastros, mesmo continuando inadimplente.
As investigações detalhadas em reportagem desse domingo (31) do Fantástico, apontam que associações de defesa do consumidor, advogados e até juízes estariam envolvidos na concessão dessas liminares suspeitas. O esquema também utiliza endereços falsos para registrar ações coletivas em massa. Segundo o Ministério Público, há indícios de comercialização de listas de devedores, que eram incluídos como associados para serem representados judicialmente.
De acordo com a promotora de Justiça Jamile Lemos, na Paraíba, “havia uma comercialização de listas de nomes que a associação recebia. Inseria essas pessoas como associados para representá-los judicialmente nos processos”. O advogado Armin Lohbauer classificou o esquema como “um processo fraudulento, não autêntico, feito para ganhar dinheiro”.
O impacto financeiro é expressivo. Estimativas da Associação dos Cartórios de Protesto indicam que, em cinco anos, cerca de R$ 130 bilhões em créditos foram camuflados por meio dessas liminares. Pessoas com dívidas passaram a contrair novos empréstimos e financiamentos, ampliando o risco de inadimplência no mercado.
A prática ganhou força em estados como Piauí, Paraíba e Pernambuco em 2023 e, dois anos depois, já se espalhava para outras regiões do país. O presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito, Elias Sfer, afirmou que o movimento deixou de ser pontual e passou a ter caráter sistêmico, replicando-se em diferentes localidades.
Especialistas alertam que não existe fórmula mágica para eliminar dívidas sem pagamento ou negociação. “Não caia nessa cilada de acreditar que uma dívida que realmente existe pode simplesmente desaparecer da noite para o dia”, reforçou André Gomes Netto, presidente da Associação dos Cartórios de Protesto do Brasil.
Confira a matéria completa: Associações, advogados e juízes são investigados na “Indústria do Limpa Nome”
REDAÇÃO + ofuxiqueiro