Cansei de dizer antes da eleição que não adiantaria eleger Lula sem, junto, eleger um Congresso Nacional que lhe desse sustentação.
Por que?
Simples: as políticas públicas defendidas em palanque e eleitas nas urnas dependem de aprovação na Câmara Federal e no Senado da República! Sem essas aprovações as políticas públicas “saídas das urnas” não se materializam.
É assim na democracia. Esse é o “jogo democrático.”
Lula foi eleito Presidente da República mas seu governo não tem maioria na Câmara e nem no Senado. Nós, eleitores, preferimos eleger um governo sem base parlamentar.
E a pergunta é: como um governo sem base parlamentar pode governar implementando as políticas públicas que propôs nos palanques e que forem eleitas nas urnas?
Na democracia, que é o regime político em que vivemos, o remédio político para a falta de base parlamentar chama-se governo de coalizão. Que nada mais é que buscar novos aliados nos adversários eleitos. É isso que Lula tem feito com ranger de dentes e cara feia de parte das esquerdas que acha que ganhou sozinha. Ledo engano!
E em política, seja aqui, nos EUA, na França, na Alemanha, em Portugal, na Austrália…, seja onde for, “é dando que se recebe” ou, se preferirem, “não há almoço de graça”. O que isso quer dizer? “Quem quer rir, tem que fazer rir”, entende? Tudo o mais é idealismo.
Logo, a miscigenação ideológico/partidária no governo é normal e até natural para a situação eleitoral que emergiu das urnas.
Quando a lei diz que para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) na Câmara dos Deputados são necessários 308 votos, 307 não resolvem. O governo Lula não tem sequer 200.
Quando a lei diz que para aprovar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) no Senado Federal são necessários 49 votos, 48 não resolvem. O governo Lula não tem 49 Senadores da base.
Mais importante que essa discussão, que como se vê é uma questão meramente matemática, é o governo conseguir implementar suas políticas publicas eleitas nas urnas. É o que o eleitorado aguarda e espera, sob pena de refluxo eleitoral no futuro.
Se isso tem preço político a ser pago, e tem, como vemos, que se pague.
Não se faz democracia de graça!
* Fernando Caldeira