A retórica política muitas vezes sofre de amnésia conveniente, mas os arquivos oficiais e os diários da imprensa não esquecem. Recentemente, o ex-governador Ricardo Coutinho subiu o tom contra a proposta de Parceria Público-Privada (PPP) na Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), usando o termo “privatização” de forma pejorativa para desgastar seus adversários e mobilizar sua base. No entanto, o recuo ao ano de 2012 revela que o próprio Ricardo, logo no início de seu primeiro mandato, tentou trilhar exatamente o mesmo caminho em diversos setores estratégicos do Estado.
Em 22 de novembro de 2012, a Secretaria de Planejamento e Gestão do governo socialista anunciava com entusiasmo o Plano Estadual de Parceria Público-Privada. O decreto, assinado por Ricardo Coutinho e publicado no Diário Oficial, instituía 16 áreas prioritárias para atrair o capital privado.
O ponto que mais expõe a incoerência do discurso atual do ex-governador está justamente na área de saneamento. Naquela época, o então secretário de Planejamento, Gustavo Nogueira, coordenador do Conselho Gestor do programa, listou expressamente entre os projetos do governo a “melhoria dos Sistemas de Abastecimento de Água, Coleta e Tratamento de Esgotos” via iniciativa privada.
Ou seja: o que em 2012 era tratado pelo Palácio da Redenção como “um grande avanço no desenvolvimento econômico” e uma recomendação direta do governador, hoje é carimbado pelo mesmo Ricardo Coutinho como um “crime contra o patrimônio do povo”.
A obsessão do primeiro governo de Ricardo Coutinho pelas PPPs não parava na água. O plano de 2012 era ambicioso e previa a entrega da gestão e construção de ativos pesados para o setor privado, incluindo:
À época, a justificativa oficial do governo era o rigor no cumprimento de prazos, a eficiência fiscal e a rapidez que a iniciativa privada traria para as obras. Argumentos idênticos aos utilizados por gestores que defendem as concessões hoje em dia.
REDAÇÃO + paraibaja
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