2a. CANDIDATURA DE EXTREMA DIREITA – PSD escolhe Caiado para disputa da Presidência

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializa nesta segunda-feira (30) o que já vinha sendo tratado como inevitável dentro do PSD: será pré-candidato à Presidência da República. Aos 76 anos, retoma um projeto antigo — disputou o Planalto ainda em 1989, na primeira eleição pós-redemocratização, quando terminou em décimo lugar.

O anúncio, marcado para as 16h em São Paulo, serve também para encerrar uma crise interna que fugia ao padrão da legenda, conhecida por evitar confrontos abertos. Nos últimos dias, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, voltou a se movimentar em busca da indicação, embalado pela desistência do paranaense Ratinho Junior.

Ratinho era, até então, o favorito do presidente da sigla, Gilberto Kassab. Havia um acordo costurado em janeiro: os três governadores aguardariam as pesquisas, e dois abririam mão em favor do melhor posicionado. O paranaense liderava esse recorte, ainda que com vantagem discreta, e era visto como o nome mais viável para encarnar um projeto de centro, distante da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Com o tabuleiro reorganizado, Caiado emergiu como solução natural dentro do partido. Tem trajetória consolidada e forte ligação com o agronegócio, ativo político relevante no Centro-Oeste. Chegou a ser apontado como preferido do conselho político da legenda, segundo o ex-senador Jorge Bornhausen.

Leite, por sua vez, resistiu até o limite. Tentou se vender como alternativa mais fiel ao centro, angariando apoios de quadros ligados ao antigo PSDB, sigla pela qual disputou sem sucesso a Presidência em 2022. Dentro do PSD, no entanto, a leitura predominante era de que sua movimentação também servia para valorização política.

Para evitar que a disputa interna se arrastasse até o prazo de desincompatibilização, em 4 de abril, o partido decidiu antecipar a definição. O futuro de Leite segue em aberto. Há a possibilidade de compor como vice, hipótese que ele próprio já rechaçou. Kassab, por outro lado, mantém simpatia pelo nome de Romeu Zema, que também orbita outras articulações. Leite criticou a escolha e disse que ela mantém a polarização.

Caiado entra na disputa com desafios claros. A ideia de uma candidatura de centro pelo PSD perde densidade diante de seu perfil político, mais alinhado à direita. Não é novidade: em 1989, foi o candidato da União Democrática Ruralista, dentro de um campo conservador que, naquele pleito, viu Fernando Collor derrotar Lula no segundo turno.

De lá para cá, construiu carreira como deputado federal, senador e, mais recentemente, governador de Goiás — eleito em 2018 e reeleito em 2022. Nos últimos anos, aproximou-se do bolsonarismo, o que amplia o grau de dificuldade: disputa o mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro, que ganhou força após ser lançado candidato pelo pai, Jair Bolsonaro.

Os números refletem esse cenário. Na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada no início do mês, Caiado aparece com 4% das intenções de voto no cenário em que representa o PSD, distante de Lula e Flávio. Em eventual segundo turno contra o petista, seria derrotado por 46% a 36%.

Fontes: REDAÇÃO + ssm