Qual o problema em Pedro Cunha Lima elogiar Lucas Ribeiro?

Ex-candidato ao governo e crítico antigo da Granja Santana, Pedro Cunha Lima elogiou a decisão do governador Lucas Ribeiro de transformar parte do espaço em um pioneiro parque sensorial para pessoas autistas. Logo depois, porém, apagou a postagem nas redes sociais.

Muito provavelmente, vieram as críticas de aliados, daqueles que ainda enxergam a política como uma guerra permanente, em que reconhecer o acerto do adversário virou quase uma traição.

Mas qual foi o erro de Pedro? Nenhum.



Pedro apenas agiu de forma republicana ao reconhecer o mérito de uma medida acertada, com forte alcance social e simbólico. E há um detalhe importante nisso tudo: Pedro e Lucas fazem parte de uma mesma geração política. Talvez por isso tenham ideias parecidas em alguns temas e compartilhem uma postura mais moderna, menos raivosa e mais conectada com uma política de resultados do que com a lógica ultrapassada do confronto pelo confronto.

A decisão de Lucas, inclusive, dialoga com uma pauta que o próprio Pedro levanta há anos: a necessidade de dar uma função pública, útil e contemporânea à Granja Santana, afastando de vez a imagem de residência oficial ligada a privilégios e mordomias.

No fim das contas, elogiar uma boa atitude do adversário não deveria causar espanto. Ao contrário, deveria ser visto como sinal de maturidade política. O problema é que, para muita gente, a política ainda precisa ser movida a rancor, birra e torcida organizada.

Pedro acertou ao elogiar. E Lucas acertou na medida. Quando dois políticos da mesma geração conseguem convergir em torno de uma boa ideia, o que deveria ser notícia não é o elogio, mas a dificuldade que ainda existe de tratar a política com um mínimo de civilidade.

* ALAN KARDEC ( Jornalista)