PF abre inquérito para apurar compra do mandato de Luceninha por Leto Viana, em Cabedelo

Um novo inquérito será instaurado pela Polícia Federal para investigar denúncias feitas pelo delator da Operação Xeque-Mate, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, Lucas Santino da Silva, desta feita envolvendo a compra do mandato do ex-prefeito José Maria de Lucena Filho (Luceninha), pelo então vice-prefeito Wellington Viana França, pelo valor de R$ 5 milhões.

“Leto” Viana, como é conhecido, ficou na titularidade do mandato de prefeito da cidade portuária até o dia três de abril deste ano, quando foi preso por agentes da Polícia Federal, por determinação do juiz João Benedito da Silva, do Tribunal de Justiça da Paraíba. O prefeito afastado continua preso no Quinto Batalhão da Polícia Militar em João Pessoa.

“Luceninha” foi eleito prefeito pelo extinto PMDB em outubro de 2012 e teve “Leto” Viana, do PRP, como vice. No dia 20 de novembro de 2013, “Luceninha” surpreendeu a população e os meios políticos com um ato de renúncia ao cargo, em carta enviada à Câmara Municipal de Cabedelo. A Polícia Federal, numa nova fase, deve elucidar a responsabilidade por eventuais atos de corrupção ativa praticados por pessoas apontadas pelo ex-vereador e por eventual corrupção passiva por parte do ex-prefeito “Luceninha”.

No relatório da Operação Xeque-Mate, há uma referência à apropriação ilícita de salário de servidores-fantasmas. A Polícia Federal conclui, a respeito, que se trata de uma modalidade de desvio de recursos públicos institucionalizada na práxis da gestão administrativa do município de Cabedelo, tanto no âmbito do Executivo quanto no do legislativo.

O relatório denuncia negociatas que envolveram alocação de servidores fantasmas e seus respectivos padrinhos políticos, deslocamento e acomodação de nomes em delatores administrativos os mais variados possíveis, exoneração de servidores do Executivo seguida de nomeações dos mesmos no legislativo municipal e vice-versa.

“São práticas deletérias cuja atualidade é facilmente perceptível partir de métodos utilizados ao longo das investigações e que contam com a participação direta do prefeito afastado Leto Viana”, frisa o relatório.

Antes de solicitar à Justiça a expedição de mandados de busca e apreensão, sequestros de bens, prisões preventivas e suspensão do exercício das funções do prefeito de Cabedelo, de cinco vereadores, incluindo sua esposa, Jacqueline Monteiro França e de 80 servidores públicos, a Polícia Federal elaborou minuciosamente, com apoio do Ministério Público da Paraíba, farto material resultante das investigações sobre um esquema de desvio de dinheiro público, pagamento e recebimento de propinas, compras ilícitas de imóveis em áreas nobres da cidade e outros bens que enriqueceram o prefeito e seus aliados.

O relatório de 288 páginas justificou a deflagração da Operação Xeque-Mate. Antes da deflagração da Operação, a Polícia Federal montou esquema de escutas telefônicas, instalou câmeras em imóveis na frente da prefeitura de Cabedelo e na sede do PRB, partido ao qual o prefeito preso era filiado.

ENTENDA O CASO

O Ministério Público da Paraíba investiga indícios de que o prefeito Leto Viana (PRP) – preso durante a Operação Xeque-Mate da Polícia Federal na terça-feira (3) – comprou seu primeiro mandato em novembro de 2013, quando então era vice-prefeito, mediante pagamento de R$ 4,5 milhões ao então prefeito eleito na sua chapa, José Maria de Lucena, conhecido como Luceninha.

O ex-presidente da Câmara de Cabedelo, Lucas Santino, – que foi o colaborador premiado da operação – afirmou ter acompanhado a negociação de perto por ser o chefe da Casa na ocasião. Com a renúncia de Luceninha, Leto Viana, que era o vice na chapa, tomou posse na Prefeitura de Cabedelo. Leto Viana estava em seu segundo mandanto quando foi preso, tendo sido reeleito em 2016 com 48,3% dos votos válidos.

De acordo com a denúncia, parte desse dinheiro, R$ 500 mil, foi levado para o ex-prefeito dentro de uma mala pelo apresentador de TV, Fabiano Gomes, e pelo então secretário de Comunicação Olívio Oliveira. Além disso, seriam pagos R$ 70 mil em cargos – por um período de 40 meses.

Nesta terça-feira (3), a PF cumpriu 11 mandados de prisão preventiva durante a Operação Xeque-Mate. Todos foram presos, incusive o prefeito de Cabedelo, Leto Viana (PRP), e mais cinco vereadores. O advogado de Leto Viana, Sheyner Asfora, explicou que a expectativa é de que o afastamento e a prisão tenham seus méritos julgados em um outro momento que não fosse a audiência de custódia.

“Em um outro momento, iremos, sim, discutir para que ele retorne ao cargo de prefeito e para que seja posto em liberdade”, comentou Sheyner Asfora.

O ex-prefeito de Cabedelo Luceninha afirmou que a Polícia Federal tem competência para apurar e que tem a consciência tranquila, mas que não vai comentar mais sobre a operação. O G1 não conseguiu falar com o ex-secretário Olívio Oliveira.

Em nota, o apresentador Fabiano Gomes afirmou que recebeu a notícia da denúncia com surpresa, questionou a veracidade das colaborações de Santino e pediu que provas fossem apresentadas.

“Tenho muitos defeitos. Os processos que respondo na Justiça são todos relacionados a crimes de imprensa, por minha atuação destemida no Jornalismo paraibano. Mas roubar, corromper dinheiro do povo, este precisamente não tenho. Toda a minha contabilidade e de minhas empresas são limpas e devidamente declaradas. Portanto, não tive, tanto com Luceninha, quanto com Leto Viana, nenhuma relação pessoal ou fora dos serviços de marketing prestados àquela campanha [eleições de 2012]”, afirmou.

Ele ainda ressaltou que nem ele nem suas empresas foram alvo de nenhuma ação da Polícia Federal. “Acredito na Justiça e estou à disposição dela e de quem quer que seja para qualquer esclarecimento, inclusive, abrir todo o meu sigilo bancário e telefônico para as autoridades policiais, a fim de colaborar sempre com a promoção da verdade e no trabalho judicial e investigatório”, declarou.

A Prefeitura de Cabedelo informou, por meio de nota, que recebeu a notícia da investigação em andamento com “calma”, e garante o pleno funcionamento da máquina pública, sem prejuízo à população. “Seguimos confiando na Justiça e aguardando determinações judiciais”, diz o texto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: correiodaparaíba + REDAÇÃO