MOTTA X LULA – Aliança com PT na Paraíba fica em risco e aumenta tensão com grupo situacionista no Estado

A articulação construída pelo deputado federal Hugo Motta (Republicanos) para garantir o apoio do PT da Paraíba à candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado em 2026 corre sério risco de desabar. O motivo: o agravamento da crise política entre o presidente da Câmara e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem provocado impactos diretos no tabuleiro eleitoral paraibano.

Desde que assumiu o comando da Câmara, Motta traçou como objetivo eleger Nabor como senador na chapa do governador João Azevêdo (PSB), com o apoio do PT. A força eleitoral de Lula no estado — que conquistou 66,6% dos votos em 2022 — tornava a aliança estratégica para o grupo do deputado.

Mas o cenário mudou.

Veneziano se aproxima do PT e disputa apoio de Lula

A disputa ganhou novos contornos com o movimento do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB). Antes isolado, Veneziano se aproximou da ala petista após os atritos entre Motta e o PT nacional, intensificados com o rompimento entre o presidente da Câmara e o líder da bancada petista, Lindbergh Farias (RJ).

Com isso, Veneziano tenta consolidar o apoio de Lula para buscar a reeleição. O senador afirma, inclusive, que o presidente já sinalizou apoio:
“O PT local sabe, assim como o PT nacional, que tem duas opções: entre a confiança e a sabida traição.”

Além disso, Veneziano se aliou ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que pretende disputar o governo estadual em 2026 — movimento que rachou a base lulista na Paraíba.

PT admite dificuldade de apoiar Nabor

A presidente estadual do PT, Cida Ramos, confirmou que os conflitos de Motta com o governo federal atrapalham a discussão de uma aliança.
“Isso cria dificuldade”, disse Cida, ressaltando que o tema sequer chegou a ser discutido formalmente na sigla.

Divergências nacionais aumentam o desgaste

A relação entre Motta e o Planalto azedou de vez após dois episódios principais:

  • Nomeação de Guilherme Derrite (PP-SP), aliado de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para relatar o projeto antifacção, considerado prioridade de Lula.
  • A forte reação popular contra a PEC da Blindagem, rejeitada no Senado após intensa pressão das ruas, com Motta no centro das críticas.
    Outdoors e campanhas de sindicatos de esquerda na Paraíba também miraram o presidente da Câmara.

Motta ainda se irritou com ataques nas redes sociais contra o Congresso, que ele atribui ao Planalto, e faltou à cerimônia que sancionou a nova isenção do Imposto de Renda como sinal de insatisfação.

Interlocutores próximos ao deputado afirmam que Motta vinha tentando reaproximação com Lula, participando de eventos oficiais, mas o desgaste causado pela escolha de Derrite teria levado a relação ao ponto mais crítico.

Eles também garantem que o apoio à candidatura de Nabor ao Senado não será discutido agora, apenas em 2026, e negam que o rompimento com Lindbergh tenha impacto direto na Paraíba.

Fontes: REDAÇÃO + polemicaparaiba