EFEITO LULA – Governo eleva PIB Potencial do Brasil para 2,6%

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda apresentou nesta semana uma atualização importante sobre a capacidade produtiva do Brasil. O novo cálculo do PIB potencial, o nível máximo de atividade em que a economia opera sem pressionar a inflação, indica que o país pode crescer mais do que se estimava anteriormente.

O levantamento mostra que, para 2024, o Brasil teria condições de avançar até 2,6% sem gerar aceleração inflacionária. Pela metodologia antiga, esse limite era de 2,4%. No fim, o PIB real cresceu 3,4%, configurando um cenário de superaquecimento econômico e ampliando o chamado hiato do produto.

A diferença do novo modelo está na inclusão de variáveis adicionais, como a área disponível para uso agropecuário e a capacidade de geração de energia — elementos que, segundo a equipe técnica da secretaria, influenciam diretamente a produção de riqueza. Pelas fórmulas tradicionais, apenas estoques de trabalho e capital eram considerados.

Para o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, a atualização oferece uma ferramenta mais estável para orientar decisões estratégicas. Ele destacou que “quanto mais preciso, mais fidedigno, mais correspondente à estrutura da nossa economia for esse tipo de métrica, mais ela pode ajudar a informar corretamente o formulador de política econômica e com isso gerar uma gestão macro condizente com a ideia de estabilidade de médio e longo prazo”.

A economista enfatizou ainda que o PIB Potencial calculado pela SPE oscila menos que o estimado por outras instituições, o que reduz distorções no acompanhamento do hiato do produto — diferença entre o que a economia produz e o que poderia produzir de forma sustentável. Com a nova metodologia, esse hiato apresenta média mais próxima de zero, sinal de menor viés estatístico. Para 2024, a SPE estimou o hiato em cerca de 0,4% acima do nível sustentável.

Mercado de trabalho e desafios para o futuro

Raquel Nadal, subsecretária de Política Macroeconômica e mediadora do debate, destacou que o hiato poderia ser maior se não fosse a queda na taxa de desemprego de equilíbrio nos últimos anos. Essa redução ajuda a explicar por que a inflação está mais controlada do que seria esperado em um cenário de mercado de trabalho aquecido.

Segundo Nadal, “mesmo com o mercado de trabalho em ritmo aquecido, com a taxa de desemprego no mínimo histórico, a inflação não está tão alta quanto estaria em outros casos […] com a taxa de desemprego de equilíbrio caindo um pouco e o que a nossa metodologia mostra ajuda a explicar esse movimento”.

Fontes: REDAÇÃO + brasil247