Você já reparou que alguns deputados da bancada federal paraibana votam sempre iguais. Isso mesmo; alguns de nossos representantes parecem siameses quando o assunto é votação no plenário da Câmara Federal.
Não estou dizendo que isso é ruim ou é bom. Estou apenas constatando um fato.
Se repararmos bem, Agnaldo Ribeiro, Edna Henrique, Efraim Filho, Hugo Motta, Julian Lemos, Ruy Carneiro, Wellington Roberto e Wilson Santiago formam um grupo monolítico quando o assunto é votação em plenário. Principalmente quando se vai votar algo de interesse do governo.
Foi o caso da chamada PEC do Calote, tanto em 1º quanto em 2º turno. Esse verdadeiro batalhão paraibano de Bolsonaro na Câmara votou unido, novamente, como irmãos siameses.
Repito, não estou criticando ou elogiando, apenas constatando!
Mas dessa constatação, nasceu uma indagação: ora, se esses parlamentares votam sempre unidos na mesma direção, por que, então, não estão no mesmo partido político? Há justificativa para um grupo monoliticamente tão unido nas votações não compartilhar uma mesma agremiação política?
Eticamente, não há! Mas politiqueiramente, há!
E há porque, apesar de defenderem o mesmo governo, de votar sempre com o governo, de nunca votar contra o governo e de sempre serem governo, suas excelências querem cada qual um partido para chamar de seu.
Assim, Agnaldo é o comandante do PP, Efraim Filho é o comandante do DEM, Hugo Motta é o comandante do Republicanos, Julian Lemos é o comandante do PSL, Ruy Carneiro é o comandante do PSDB, Wellington Roberto é o comandante do PR e Wilson Santiago era até bem pouco o comandante do PTB, e ainda luta para voltar a sê-lo.
Vejam, deputados que votam iguais, que pensam iguais, que apoiam iguais o governo, se dividem em sete partidos.
E sabem por que?
Porque existe um tal de fundo partidário. É muito dinheiro para deixar outro tomando de conta, entende?
Além disso, ser comandante de um partido é ter seu feudo eleitoral. Ou seja, você bota e tira do partido quem você quiser. Dessa forma, você tem um poder de barganha enorme junto aos cabos eleitorais (prefeitos, vereadores, vice-prefeitos, suplente de vereadores, deputado estaduais, suplentes de deputados estaduais, governador, vice-governador…, e por aí vai).
Você imagina o tamanho que é o poder de coligar a legenda que você comanda com este ou com aquele candidato a governador? Quanto não vale isso no xadrez político?
Ah meu caro, diria um amigo meu: “é dinheiro que besta não conta e sabido perde a conta!”
* Fernando Caldeira
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