CONTROLE DA MÍDIA, NÃO; CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA, SIM!

A ignorância que aflora no Brasil dos tempos atuais, deturpa a verdade e tenta esconder fatos para justificar seu posicionamento fascista em relação ao tema.

Pois saibam que o chamado ‘controle social da mídia’ não é nem nunca foi censura ou controle editorial e jornalístico da mídia! Não.

Embora os ignaros negacionistas contemporâneos insistam em dizer que sim, talvez acreditando no ensinamento de Goebbels de que “uma mentira dita mil vezes, torna-se verdade”, o que aí sim é mentira, o controle social da mídia existe nos países mais democráticos do mundo, como Reino Unido, Canadá, França, Estados Unidos, Alemanha, Finlândia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Suécia…., e por aí vai.

Para melhor reflexão sobre o tema, reproduzimos a seguir artigo do advogado Rafael Molina Vita, membro da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia).

A Regulação da mídia está presente nos países mais democráticos do mundo

Rafael Molina Vita*

O debate sobre a previdência pública é o exemplo perfeito da falta de pluralidade de opiniões nos meios de comunicação. Você liga a TV e não importa o canal, todos dizem que o Brasil vai “quebrar” se não aprovarem a tal reforma. Não há espaço para o debate, para o contraditório.

Desta maneira, já existe um arcabouço legal que regula a mídia no Brasil. Esta legislação está disposta de forma fragmentária, com dispositivos como os arts. 220 a 224 da Constituição Federal e leis como o Código Brasileiro de Telecomunicações (1962). O problema principal é que se trata de dispositivos sem regulamentação, de leis desatualizadas ou insuficientes para proporcionar uma democratização efetiva.

Tomemos como exemplo o art. 220 § 5° da CF, que proíbe a formação de oligopólios no setor de comunicação social: Desde 1988 o dispositivo espera por uma regulamentação. Em outubro de 2010 foram propostas duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade por omissão (ADO 10 e 11), instrumentos pelo quais o legislador seria instado a finalmente suprir esta e outras lacunas, mas os processos ainda não foram julgados no Supremo Tribunal Federal. Reparem bem: são mais de 30 anos esperando pela regulamentação.

Apesar de tudo, os grandes grupos de comunicação continuam com o discurso de que a regulação dos meios é um ataque à liberdade de expressão. Nas sábias palavras de Fábio Konder Comparato, esses grupos na verdade defendem a liberdade de empresa, ou seja, a liberdade de atuarem sem nenhum compromisso com a população.

O que as classes dirigentes precisam entender é que não nos contentamos mais com uma democracia formal, ou de baixa intensidade. O povo brasileiro tem o direito humano a acessar informações plurais, de se fazer ouvir, de colaborar no debate público, seja qual for a sua condição social e econômica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: REDAÇÃO + ggn