Chico Mendes despreza o voto cajazeirense

Certa vez, neste espaço de debate e reflexão, pontuei que o deputado Chico Mendes (PSB) tem sido bem atuante no trabalho parlamentar em favor dos municípios. Continuo achando o mesmo.


Seu empenho legislativo no favorecimento às demandas municipais é de merecer reconhecimento. Até mesmo municípios que não lhe deram votos ou lhe proporcionaram votação diminuta têm merecido o seu esmero parlamentar na busca de atender demandas dessas comunidades.


Porém, há uma exceção. E, estranhamente, essa exceção se dá no município que lhe deu a maior votação nominal entre todos os demais, na Paraíba: Cajazeiras.


A “terra que ensinou a Paraíba a ler” foi o carro chefe para Chico Mendes em termos de votos na sua eleição em 2022. Foram 7.389 votos, a segunda maior votação na cidade naquele pleito, e a maior votação nominal entre todas as demais cidades onde o parlamentar piranhense foi votado no Estado.


Porém, repito, Cajazeiras tornou-se exceção no desempenho parlamentar/legislativo em relação a dezenas de outros municípios em que aquele deputado atua.


Um exemplo? Bernardinho Batista, a antiga Serra do Padre. Lá Chico obteve 13 votos e liberou milhões de reais em emendas/convênios/obras, no que fez muito bem. Mas para Cajazeiras, terra de sua maior votação, Chico Mendes não liberou/conseguiu um centavo sequer para a saúde, a educação, a infraestrutura… do município. E foram 7.389 votos. Ou seja, 7.376 votos a mais que os 13 de Bernardino Batista, só para ficarmos neste exemplo.


E aí está o enorme desprezo do deputado Chico Mendes com o voto do cajazeirense. Nem mesmo os 7.389 cajazeirenses/cajazeirados que nele votaram em 2022 estão sendo reconhecidos/beneficiados por sua atuação.


Ressentido com a derrota do seu grupo político, que é a sua própria derrota na eleição municipal de 2024, ele despreza o voto dos cajazeirenses que escolheram Corrinha Delfino (PP) para prefeita, deixando a cidade e seus cidadãos no limbo do esquecimento proposital.


Como Chico Mendes é hoje o coordenador do chamado Grupo do Alho, estende-se a este o mesmo desprezo pela cidade, visto o silêncio cúmplice com que seus membros se portam diante daquele posicionamento discriminatório do parlamentar em relação a cidade.


E olha que Cajazeiras votou inúmeras vezes em Jeová Campos, Marcos Campos e no próprio Chico Mendes.


As urnas ‘vão falar’ novamente em outubro próximo, e fica uma pergunta: o desprezo será recíproco?


• Fernando Caldeira (Aposentado)