CARTA ABERTA AOS CAJAZEIRENSES

Confesso: o propósito primeiro desta missiva é provocar os brios dos filhos do casal Vital de Souza Rolim e Ana Francisca de Albuquerque. Tenho mesmo a intenção de provocar vossa ira, “irmãos” de padre Rolim e herdeiros de mãe Aninha.

O que lhes falta que sobra em nossos vizinhos do Ceará? São eles mais capazes? Serão mais trabalhadores? Falta-lhes o que, que neles abunda? Não me digam que Deus é cearense e relega seus vizinhos tabajaras às desgraças do inferno.

Refiro-me, conterrâneos, ao boom que vivem nossos irmãos alencarinos em termos de aviação aérea regional, enquanto nós ficamos como peixe: nada! O novo aeroporto de Cajazeiras, onde foram investidos milhões de reais, até hoje serve apenas para as vindas e idas do governador de plantão e, às vezes, para alguns poucos abastados empresários proprietários de aeronaves. Nada além disso!

Afinal, por que temos um aeroporto praticamente pronto mas não conquistamos um vôo regional sequer? Vocês vão ficar até quando tendo que ir para Juazeiro do Norte para poder alçar vôos?

Enquanto vocês discutem se o senador será Ricardo Coutinho, ou Bruno Roberto, ou Pollyana Dutra…, se o governador será Pedro Cunha Lima, ou Veneziano Vital, ou João Azevêdo…, os conterrâneos de José de Alencar, por suas representações sociais, arregimentam forças e pressionam seus políticos por desenvolvimento.

Nesta última quarta-feira (10) o Governo do Ceará e a companhia aérea Azul anunciaram que mais quatro municípios do interior cearense vão receber vôos daquela empresa: Crateús, Iguatu, Sobral e São Benedito.

Assim, já são seis os municípios do interior do Ceará a terem a Azul Linhas Aéreas em vôos regionais ligando-os à capital Fortaleza: Crateús, Iguatu, Sobral, São Benedito, Aracati e Jericoacoara. Olhando o mapa do Ceará de cima, nota-se que todo aquele Estado está contemplado: Jericoacoara, no extremo Noroeste, São Benedito, no extremo Oeste, Sobral, no Oeste, Crateús, no extremo Sudoeste, Iguatu, numa região mais central e Aracati, no extremo leste. Isso, sem contar com Juazeiro do Norte, no extremo sul cearense!

Ou seja, todo o Ceará está servido de vôos regionais. E o Ceará é bem ali. São nossos vizinhos pelo Mauriti, pelo Barro, por Ipaumirim, pelo Baixio, por Umari e pelo Icó. Lá, como cá, é um povo só: nordestino, sofrido das secas, com os mesmos costumes, mesma gastronomia, mesmos problemas. A nos dividir apenas linhas imaginárias. Mas apesar disso, o Ceará tem, a Paraíba não tem!

Fica a pergunta: por que será tanta proximidade, chegando mesmo à vizinhança, e tanta distância? Mesmo mirando-o, o Ceará está anos luz distante da Paraíba! Cajazeirenses, paraibanos, uni-vos!

 

  • Fernando Caldeira