O poder não reside na expressão do “ego”, mas na força do “nós”. O poder individual, quando absolutizado, degenera em tirania; o poder do “nós” se materializa na democracia, na participação e na soberania popular. Quando decidimos que “ninguém solta a mão de ninguém”, rompemos com a lógica do medo e da submissão, tornando-nos capazes de enfrentar os delírios autoritários e as pretensões messiânicas daqueles que se julgam donos do destino coletivo. É na solidariedade ativa que se abatem os autocratas, não na complacência silenciosa.
Quando muitos estão juntos, não há espaço para a desesperança, nem para a resignação. O “nós” não teme desafios porque sabe que a história avança pela ação coletiva. Se irmanados em um só propósito, tornamo-nos uma força social capaz de subverter estruturas injustas e impor limites aos abusos do poder.
A sintonia de pensamentos nos torna mais lúcidos e preparados para conquistas que o senso comum, moldado pelo conformismo, julga impossíveis. As parcerias e alianças são garantias de êxito em qualquer projeto transformador. O “ego”, inflado pela vaidade e pelo culto à personalidade, perde consistência quando confrontado com a evidência histórica de que as grandes conquistas são frutos do coletivo. Não há crise social, política ou moral que resista à ação organizada do povo. Quem subestima o poder do “nós” abdica de definir o próprio destino e se submete às vontades de egos autorreferentes, movidos pela ambição e pela prática recorrente do autoritarismo.
É imensurável a nossa capacidade de reagir e impulsionar mudanças, desde que estejamos organizados, conscientes e politicamente mobilizados. A ação coletiva amedronta os que insistem em contrariar demandas populares e em perpetuar privilégios. Em tempos sombrios, unir-se não é apenas uma estratégia; é um imperativo ético e político de resistência democrática. A política plural não admite lideranças personalistas, que não dialogam, não prestam contas e não reconhecem a centralidade do povo como sujeito histórico. Ao segurarmos as mãos uns dos outros, reafirmamos a recusa ao medo, à apatia e à capitulação.
O espírito de coletividade vivo fortalece a persistência na luta contra as desigualdades, as injustiças e os retrocessos civilizatórios.
O caminho urgente a seguir é o da compreensão do poder do “nós”, sem negar diferenças identitárias, mas afirmando a unidade na diversidade como fundamento da democracia substantiva. Porque a história ensina, de forma inequívoca, que o povo organizado é a maior ameaça aos projetos autoritários e que “o povo unido jamais será vencido”.