A FICHA COMEÇA A CAIR: aliados antecipam perda de prestígio de Chico Mendes no Governo do Estado e começam a dizer “bye, bye”

Desde o encerramento da conturbada campanha eleitoral do ano passado, já se percebia que o capital político do deputado estadual Chico Mendes (PSB) havia sofrido um abalo considerável. Mesmo utilizando de forma intensa a máquina administrativa do Governo do Estado, o parlamentar acabou sendo derrotado por Corrinha Delfino, que foi apoiada pelo então prefeito Zé Aldemir e os deputados Dra. Paula e Júnior Araújo.

A partir daí, o que se vê é um movimento gradual, porém constante, de recuo por parte de seus chamados “aliados”. Figuras que até os primeiros meses de 2025 se apresentavam como fiéis escudeiros do ex-prefeito de São José de Piranhas em várias regiões do estado começaram a rever posicionamentos, avaliando o novo cenário político que se desenha no Estado.

Em Cajazeiras, alguns desses aliados chegaram a ensaiar apoio ao prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, apostando que o vice-governador Lucas Ribeiro não seria o nome escolhido pelo governador João Azevêdo para a sucessão estadual. Repetia-se, nos bastidores, o velho enredo do “três, três passará, derradeiro ficará”. No entanto, com a confirmação de que Lucas Ribeiro deverá assumir o comando do executivo estadual a partir de abril do próximo ano, o discurso e, sobretudo, as atitudes mudaram radicalmente da água para o vinho. O que antes era distância virou aproximação calculada. Fotos com Lucas passaram a ser disputadas como troféus, e nem o próprio Chico Mendes perdeu a oportunidade de cortejar “Luquinha” por onde ele passasse, comportamento que não fazia anteriormente. Curiosamente, antes, o jovem vice-governador só era acompanhado por membros do grupo governista quando visitava a terra do Padre Rolim.

Desde então, Chico Mendes vem sendo gradualmente esvaziado por antigos aliados. Prova disso é o abandono do seu candidato a deputado federal, Wilson Santiago, em favor de nomes como Fábio Tyrone e Jhony Bezerra. O movimento deixa claro que o deputado perdeu o controle político do grupo e que, ao que tudo indica, poderá ser o único a pedir votos para o pai de Wilson Filho em Cajazeiras.

A debandada não para por aí, prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, suplentes e diversas lideranças políticas da região e outras regiões do estado vêm desembarcando da candidatura de Chico Mendes, buscando abrigo em projetos que aparentam oferecer mais perspectivas de poder e influência a partir de abril, quando o parlamentar deverá perder o posto de líder do Governo na Assembleia Legislativa, fator que tende a agravar ainda mais seu isolamento político.

Fica a incógnita: como permanecerão os prefeitos que apostaram em Chico Mendes como ponte direta e facilitada ao gabinete do governador, algo que hoje ocorre com relativa facilidade na gestão João Azevêdo? E como será esse acesso sem a presença de um “Ronaldo Guerra” na chefia de gabinete, figura-chave no atendimento às demandas do deputado em João Pessoa? São perguntas que aguardam respostas no cenário pós-abril.

O quadro tende a se agravar ainda mais após as eleições, caso se confirme uma eventual vitória de Lucas Ribeiro, que precisará repartir espaços e cargos nas principais cidades do Estado com seus apoiadores, inclusive em Cajazeiras, onde Chico Mendes hoje concentra cerca de 99% do domínio político local.

Diante desse contexto, o horizonte que se desenha é de um abril sombrio para Chico Mendes, que deverá perder não apenas o tom rosado, mas também o punho fechado dentro do Governo do Estado. O desafio maior será imaginar uma eventual disputa pela Prefeitura de Cajazeiras em 2028 em condições totalmente adversas às de 2024, sem o respaldo direto do padrinho político João Azevêdo. Na avaliação deste redator, 2028, para Chico Mendes, volta a ter cheiro de São José de Piranhas.

 

  • Eutin Rodrigues (Radialista)