PEGA FOGO C… – Flávio Bolsonaro é inviável na disputa contra Lula, diz Renan Santos

O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não tem condições de se consolidar como principal nome da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026. Em entrevista ao Estadão, o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) avaliou que o bolsonarismo perdeu força política e aposta em um desgaste do campo conservador tradicional para crescer eleitoralmente nos próximos meses.

Segundo Renan, sua estratégia é alcançar ao menos 10% das intenções de voto até o início oficial da campanha, em agosto, consolidando-se como alternativa viável entre os eleitores antipetistas. Para ele, uma eventual estagnação da candidatura de Flávio Bolsonaro abriria espaço para a migração de votos dentro do campo oposicionista.

 
 
 
 

“A campanha do Flávio é uma campanha morta. É uma campanha de defesa, não de ataque”, afirmou.

Ao comentar o cenário eleitoral, o pré-candidato disse acreditar que existe uma diferença entre o eleitor bolsonarista e o eleitor antipetista. Na avaliação dele, o núcleo mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro representa uma parcela menor do eleitorado, enquanto uma fatia mais ampla de opositores ao PT estaria disposta a apoiar outro candidato que demonstre competitividade.

“Todo bolsonarista é antipetista, mas nem todo antipetista é bolsonarista”, declarou.

Meta é chegar a 10% antes do início da campanha

Renan Santos afirmou que acompanha com mais atenção levantamentos de institutos que, segundo ele, captam mudanças de tendência com maior rapidez. Ele destacou sua evolução em pesquisas recentes e disse que o objetivo imediato é alcançar dois dígitos nas intenções de voto. “Minha ideia fixa é buscar esses 10% antes do começo das eleições em agosto”, explicou.

O pré-candidato sustenta que, uma vez atingido esse patamar, poderá atrair eleitores que buscam uma candidatura competitiva para enfrentar Lula em um eventual segundo turno.

Segurança pública é prioridade

Durante a entrevista, Renan apontou a segurança pública como principal eixo de seu programa de governo. Entre as propostas apresentadas estão a possibilidade de decretar estado de defesa em áreas dominadas por facções criminosas e a adoção da tese jurídica conhecida como “direito penal do inimigo”, que prevê tratamento diferenciado para integrantes de organizações criminosas.

Questionado sobre os riscos de abusos e de ampliação indevida dessas medidas, ele defendeu regras rigorosas para delimitar a aplicação da legislação.

“Essa lei, como prevê uma retirada de direitos e prerrogativas de determinados brasileiros, ela tem que ser muito clara, não pode ser aberta.”

Segundo ele, a definição legal de conceitos como facção criminosa, ocupação territorial e pertencimento a organizações criminosas precisaria ser detalhada para evitar interpretações excessivas por parte do Judiciário.

Reforma da Previdência e revisão de privilégios

Na área econômica, Renan defendeu uma nova reforma da Previdência focada na revisão de parâmetros considerados insuficientemente corrigidos pela reforma anterior. Entre as propostas estão a criação de um mecanismo automático para elevar a idade mínima de aposentadoria conforme o aumento da expectativa de vida da população.

“É uma reforma paramétrica. São sobre os parâmetros que hoje não estão corretos, que envolvem privilégios para o funcionalismo.”

Ele também afirmou que pretende rever exceções existentes no sistema previdenciário, especialmente aquelas ligadas ao funcionalismo público.

Revisão de incentivos fiscais

O pré-candidato declarou ainda ser favorável à revisão de benefícios fiscais concedidos a diferentes setores da economia. Como exemplo, citou incentivos relacionados à Zona Franca de Manaus, que, segundo ele, precisam ser reavaliados dentro de um processo gradual de transição.

“Tem que fazer um processo de desmame de modelos fracassados.”

Apesar de defender redução da carga tributária, Renan argumentou que isso só seria possível após uma ampla reforma fiscal voltada ao controle das despesas públicas.

Mudanças no Bolsa Família

Outro tema abordado foi o Bolsa Família. Renan afirmou que pretende promover alterações no programa social, com foco na identificação de fraudes e na criação de incentivos para inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.

“Tem que mexer.”

Ao comentar a concentração de beneficiários no Nordeste, o pré-candidato afirmou:

“A Região Nordeste, que tem 40% dos domicílios no Bolsa Família, é claramente um lugar que está doente.”

Ele defendeu a implementação de frentes de trabalho em municípios com alta dependência do benefício, especialmente para pessoas em idade ativa.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 32,4% dos lares nordestinos possuem ao menos um beneficiário do programa.

Críticas ao bolsonarismo e foco em eleitores adultos

Renan também avaliou que o bolsonarismo perdeu capacidade de mobilização eleitoral e afirmou que seu principal desafio é ampliar apoio entre eleitores adultos, especialmente na faixa entre 25 e 55 anos.

“O bolsonarismo morreu, ainda mais com um candidato como o Flávio. Então é um fenômeno morto.”

Segundo ele, esse grupo etário estaria mais sensível a temas como violência urbana e segurança pública, enquanto os jovens já demonstrariam maior engajamento com sua pré-campanha.

“O moço e a moça de 25 a 55 anos, o adulto brasileiro, este, sim, está em disputa e é esse que a gente tem que buscar com maior energia.”

 

 

REDAÇÃO + brasil247