Envolto em novas mentiras sobre a relação com o “irmão” Daniel Vorcaro, figura central do escândalo do Banco Master, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deve virar alvo de representação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para se explicar em juízo os reiterados encontros com o banqueiro, segundo revelou o colunista Lauro Jardim, no jornal O Globo, neste domingo (21).
“Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo)”, disparou Flávio, que voltou a mentir dizendo que “possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”.
No entanto, o senador ignorou as novas denúncias e não se explicou sobre os diversos encontros com Vorcaro, insistindo na mentira de que só manteve contato com o banqueiro em razão do suposto patrocínio ao filme sobre o pai.
Para o deputado Carlos Zarattini, as novas revelações aprofundam a gravidade do caso e “muda a história” por mostrar que a relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro “não parece mais um contato casual”.
“Em meio ao escândalo do Banco Master, Flávio precisa explicar qual era sua relação com Vorcaro e por que se reuniu mais de uma vez com ele”, cobra o parlamentar.
Vice-líder do PT na Câmara, Rogério Correia (PT-MG) cobrou Mendonça pelas revelações, que mostram “mentira atrás de mentira” de Flávio Bolsonaro.
“Notícia divulgada de outra reunião com Vorcaro e nenhum desmentido de Flávio Bolsonaro. E ele jurou que encontrou apenas uma vez para colocar ponto final nos negócios. Mentira atrás de mentira. Ministro Mendonça deve estar atento a tudo. E amanhã vem a notícia completa”, escreveu na rede X.
“Mais um encontro de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Já é o segundo que temos notícias. É preciso que se investigue a fundo a relação entre Flávio e o ex-banqueiro. O que eles tanto tratavam? E a pergunta que não quer calar: onde estão os milhões para o suposto filme?”, emendou Lindbergh Farias (PT-RJ) em vídeo na mesma rede X.
Em sua coluna no jornal O Globo, Lauro Jardim diz que Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô de um milionário escândalo de fraudes financeiras, tiveram alguns encontros presenciais muito antes dos que o senador admitiria depois de ser desmentido.
O colunista revelou que, além da reunião de novembro de 2025 na casa do banqueiro em São Paulo (que Flávio alegava ter sido um esforço para “dar um ponto final” nas negociações de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse), os dois teriam se reunido a sós no primeiro semestre do ano passado, na mansão que Vorcaro alugava em Brasília.
A nova descoberta joga por terra a intrincada rede de negativas que o senador teceu desde o início das investigações. O histórico de recuos de Flávio impressiona pela velocidade com que as versões oficiais ruíram diante dos fatos:
A negação inicial: No começo do escândalo, Flávio afirmou categoricamente que sequer sabia quem era Daniel Vorcaro.
A desculpa do telefone: Quando veio à tona que Vorcaro possuía seu contato direto na agenda de um celular apreendido pela PF, a justificativa do senador foi a de que seu número de telefone “não era segredo em Brasília” e que qualquer um poderia tê-lo conseguido a pedido do ricaço dono do Master.
O “irmãozão” e o achaque: O verniz de desconhecidos derreteu quando o portal The Intercept Brasil vazou mensagens mostrando uma intimidade profunda. Flávio chamava o magnata de “irmãozão” enquanto, na verdade, tentava tomar R$ 134 milhões do empresário, conseguindo abocanhar “apenas” R$ 61 milhões.
A visita ao condenado: A desfaçatez ganhou contornos ainda mais graves quando se descobriu que o senador viajou de Brasília a São Paulo exclusivamente para visitar Vorcaro após a prisão do banqueiro. O encontro ocorreu com o empresário já usando tornozeleira eletrônica e cumprindo estritas medidas cautelares.
pós Silas Malafaia abandonar Flávio Bolsonaro (PL-SP), dizendo que não passa a mão na cabeça de “corrupto de direita“, foi a vez do bispo Robson Rodovalho, da Igreja Sara Nossa Terra, largar a mão do filho “01” de Jair Bolsonaro (PL) e defender abertamente o nome de Michelle Bolsonaro para substituir o candidato como representante do clã na chapa presidencial.
Rodovalho, que visitou Bolsonaro na prisão e substituiu Malafaia como conselheiro do ex-presidente após rusgas com o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), explicou o derretimento de Flávio nas pesquisas após o caso Master pelas mentiras ditas pelo senador sobre a relação com Daniel Vorcaro.
REDAÇÃO + revistaforum