ESCÂNDALO MASTER – Ação contra Jaques Wagner abre precedente para operação da PF contra Flávio Bolsonaro, o “irmão” de Vorcaro

nona fase da Operação Compliance Zero, desencadeada nesta quinta-feira (18), que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, na conexão baiana do escândalo financeiro do Caso Master, abre precedente para que o próximo “toc toc” dos agentes da Polícia Federal (PF) aconteça na mansão de R$ 5,97 milhões de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no Lago Sul, em Brasília. E isso pode acontecer em plena campanha eleitoral.

A decisão do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), cita elementos consistentes para a realização da busca e apreensão nos endereços de Wagner.

Baseado no relatório da Polícia Federal, Mendonça cita que o senador baiano é tido “como suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”.

“De acordo com a representação, foram auferidas vantagens econômicas indevidamente pelo parlamentar. Nesse ponto, há questões mais laterais, como: (i) o uso gratuito de aeronaves vinculadas a AUGUSTO FERREIRA LIMA ou ao Banco Master; e (ii) o recebimento de ingressos para shows no exterior de elevado valor. De outra parte, há questões mais relevantes, quais sejam: (iii) a aquisição do apartamento nº 1.702 do empreendimento Poème Horto, que teria sido viabilizada por estruturas societárias e financeiras interpostas; e (iv) pagamentos à empresa vinculada a seu núcleo familiar (no caso, a BN FINANCEIRA LTDA.)”, diz o ministro na decisão que deu aval à PF para a investida.

Entre as contrapartidas que, supostamente, teriam sido efetivadas, está o apartamento de R$ 2,5 milhões que teria sido registrado em nome da empresa Epítome S.A., que tem como responsável formal Luiz Antonio Lombardi, alvo da operação, que supostamente teria sido utilizado como uma espécie de “laranja” para ocultar o nome do senador.

Em uma das poucas trocas diretas entre o senador e o ex-sócio de Vorcaro citadas na decisão, está uma conversa relativa à aquisição de “ingressos para shows de cantora internacional, realizado na cidade de Los Angeles (Califórnia/EUA)”, em 2023, no valor de R$ 63.339,00.

Ação contra Flávio Bolsonaro

A decisão de Mendonça mostra que havia elementos suficientes para uma busca e apreensão contra o líder do governo Lula no Senado.

No entanto, o que já se tornou conhecido sobre a relação de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro é muito mais grave e envolve valores bem mais vultosos do que aqueles que embasam a ação contra Wagner.

Diferentemente de Wagner, Flávio Bolsonaro teve contato direto por diversas vezes com Daniel Vorcaro, mesmo após a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

Conforme revelou o site The Intercept, Flávio chamou Vorcaro de “irmão” ao cobrar parte das transferências de dinheiro para o suposto financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL), de um total negociado de 24 milhões de dólares.

A mensagem de áudio foi enviada no dia 16 de novembro de 2025, véspera da prisão de Vorcaro pela PF no aeroporto de Guarulhos, quando o banqueiro possivelmente tentava fugir rumo a Malta e, em seguida, Dubai.

Em dezembro, com Vorcaro de tornozeleira eletrônica e em prisão domiciliar, Flávio Bolsonaro visitou o banqueiro na mansão dele em São Paulo. Um dia depois, o senador deixou a cela na Papudinha dizendo que o pai o teria ungido candidato do clã à Presidência.

Além dos contatos diretos e da cobrança, segundo as investigações da Polícia Federal, Vorcaro transferiu efetivamente aproximadamente 10,6 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões pela cotação da época) ao fundo Havengate, nos EUA, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

A cifra é mais de 20 vezes o valor do suposto apartamento que Augusto Lima teria dado a Jaques Wagner, por meio de um laranja, como contrapartida por sua atuação parlamentar.

Em nova reportagem sobre o caso, o The Intercept Brasil revelou planilhas de despesas e comprovantes que mostram toda a transferência dos milhões de Vorcaro para o clã Bolsonaro.

Seguindo o rastro desse dinheiro, a PF não teria encontrado, até o momento, indícios de que o montante tenha sido efetivamente usado na produção do filme, nem mesmo o destino desses milhões de dólares — que, avalia-se, podem ter sido usados para financiar uma vida de luxo de Eduardo Bolsonaro nos EUA enquanto arquitetava a conspiração contra o Brasil.

Caso repita o timing entre a revelação do caso e a ação contra Wagner, investigadores da PF devem bater à porta de Flávio Bolsonaro em setembro, em plena campanha eleitoral.

Obviamente, o filho de Bolsonaro já deve estar colecionando mentiras para se colocar como vítima de “perseguição”, como aprendeu em casa. Mas provas existem. E são fartas.

E, pelo visto, o que não falta é independência e vontade da Polícia Federal para derrubar o castelo de cartas marcadas da organização criminosa de Daniel Vorcaro. Doa a quem doer.

Basta saber se André Mendonça dará o aval para a ação contra o filho de seu benfeitor, que o alçou justamente à cadeira na mais alta corte do país.

 

 

REDAÇÃO + revistaforum