CRISE NA EXTREMA DIREITA – Aliados temem contaminação com escândalo de Flávio Bolsonaro

O avanço das investigações e das polêmicas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a gerar preocupação entre aliados do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta evitar desgaste político às vésperas da disputa eleitoral de 2026.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, integrantes do entorno do governador avaliam que a crise no núcleo bolsonarista pode contaminar candidaturas apoiadas pelo Palácio dos Bandeirantes e comprometer a estratégia política construída por Tarcísio para o próximo ciclo eleitoral.

Nos bastidores, o governador vem adotando uma postura descrita por interlocutores como de “distância estratégica” em relação a Flávio Bolsonaro, especialmente após o agravamento das denúncias envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o financiamento do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Polícia Federal investiga se parte dos R$ 61 milhões pagos por Vorcaro ao projeto cinematográfico teria sido usada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Eduardo também responde a processos ligados a ataques contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e a Procuradoria-Geral da República (PGR) já apresentou pedido de condenação por coação contra integrantes da Corte.


O desgaste político provocado pelo caso passou a atingir diretamente Flávio Bolsonaro. Como revelou recentemente a Reuters, o senador admitiu ter se reunido pessoalmente com Daniel Vorcaro em São Paulo após o banqueiro passar a utilizar tornozeleira eletrônica no final de 2025. Segundo Flávio, o encontro ocorreu para tratar exclusivamente do financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e da busca de novos investidores para a produção.

Em meio à turbulência, aliados de Tarcísio passaram a evitar aparições públicas ou agendas políticas conjuntas com Flávio. Na semana passada, por exemplo, o senador esteve em São Paulo para reuniões reservadas com representantes do mercado financeiro sem a presença do governador paulista.

A preocupação no entorno de Tarcísio é que o desgaste do bolsonarismo acabe afetando diretamente o projeto político do governador, que busca consolidar sua liderança nacional dentro da direita e manter controle sobre a sucessão paulista. O temor é ainda maior porque parte das candidaturas apoiadas pelo Palácio dos Bandeirantes mantém vínculos diretos com a família Bolsonaro.

É nesse contexto que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), tenta reforçar sua imagem como o “candidato de Tarcísio” ao Senado. Interlocutores afirmam que o parlamentar vem priorizando agendas institucionais com o governador e intensificando articulações com prefeitos e deputados federais, numa tentativa de se afastar do núcleo mais radical do bolsonarismo.

Embora Tarcísio mantenha publicamente apoio ao secretário Guilherme Derrite (PP-SP) na disputa ao Senado, aliados admitem reservadamente que o governador deve concentrar esforços políticos em André do Prado. A relação entre Tarcísio e Derrite teria esfriado desde a saída do secretário da área de Segurança Pública, reduzindo o entusiasmo do governador em relação ao ex-auxiliar.

O cenário eleitoral, no entanto, ainda preocupa o entorno do Palácio dos Bandeirantes. Pesquisa recente do instituto Paraná Pesquisas mostra André do Prado com apenas 11% das intenções de voto na corrida ao Senado, atrás de nomes como Marina Silva, Simone Tebet, Guilherme Derrite, Ricardo Salles e Paulinho da Força.

Aliado próximo do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, André ganhou projeção estadual ao assumir a presidência da Alesp durante o governo Tarcísio. Sua permanência no comando da Casa até 2026 foi viabilizada após mudanças regimentais que permitiram sua reeleição dentro da mesma legislatura.

Segundo o Metrópoles, Tarcísio atuou pessoalmente para consolidar André do Prado como nome competitivo ao Senado, superando resistências internas do PL que defendiam candidaturas mais alinhadas diretamente à família Bolsonaro, como Mario Frias, Marco Feliciano e o vice-prefeito da capital paulista, coronel Mello Araújo.


REDAÇÃO + brasil247