O bolsonarismo em si é uma vertigem que não sabe o que quer, sabe bem o que não quer e o racismo é o ponto central que move uma corrente de ódio que inclui, homofobia, preconceito com as religiões de matriz africana, com pobres, antipetismo, anticomunismo, misoginia, e por aí vai.
É um complexo colonialista, uma visão de mundo de submissão, a lei do mais forte que, inapelavelmente, curva-se àqueles que têm poder de fato.
Bolsonaro é um saco de gatos e, como tal, fez sua imagem numa colcha de retalhos que, além de todas essas mazelas, das mais variadas formas, que os bolsonaristas carregam, a tortura, a ditadura, o roubo do erário nas mais variadas escalas, mas sobretudo o comportamento inescrupuloso como ser desumano é o que mais atrai e o populariza nessa parcela da sociedade, que tem sempre um olhar mais objetivo para a barbárie do que para a civilidade.
Quando se olha o todo desse troço mal-ajambrado chamado bolsonarismo, a sensação que se tem é a de que todas essas chagas morais têm sua origem no psique. São pessoas amarguradas, muitas vezes escanteadas ou esquecidas pelos seus, que produzem frustrações existenciais e que não interagem sequer com o meio social, com a mesma formação, renda, habitação, que têm padrão de vida comum.
É essa gente que se encanta com a total falta de escrúpulos de Bolsonaro, que não respeita nada e ninguém, além de seus próprios interesses mesquinhos, porque é totalmente desprovido de capacidade intelectual.
Por isso Bolsonaro não aceita regras comuns de sociabilização ou mesmo leis, hierarquias, mas sobretudo, a constitucionalidade, zero traço de cidadania. Esse é o conto em que essa gente marca encontro e que se autointitula bolsonarista.
Gente que não tem qualquer relação com o país, nem geográfica, cultural, mas principalmente racial.
Isso, em um país de maioria negra e uma gigantesca parcela mestiça, o choque é inevitável, o que, ao contrário do que muitos dizem, não divide o Brasil. Essa parcela reacionária chega, no máximo, a 15% da população, ela se forma num combo das mesmas mazelas de Bolsonaro e faz ligação direta entre mito e devotos.
Isso não morrerá tão cedo, porque existe no Brasil mesmo antes de Bolsonaro nascer, é uma xepa civilizatória, herdeira do colonialismo mais rudimentar, mais provinciano, antinacional que muitas vezes entende conhecimento como forma de promoção social, sobretudo associado a uma determinada profissão, mas absolutamente descolada do próprio ser.
É desse filão de aspectos de pouca ou nenhuma luz, sem qualquer palavra que remeta a uma filosofia de comunhão cultural, social e humanitária, é que habita essa cognição deformada da vida onde vivem esses reacionários que, nos tempos atuais, são classificados pelos próprios como bolsonaristas, mas que, na realidade, são a banda podre da sociedade brasileira.
* Carlos Henrique Machado ( Compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira)
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