A série memes bancada por bolsonaristas em favor da imagem da Ypê tem gerado preocupação no Ministério da Saúde. Não pela repercussão, mas pelo risco à integridade física das pessoas. Um dos que mais repercutiram é o de um homem que aparece bebendo detergente. O ministro da pasta afim, Alexandre Padrilha, demonstrou preocupação com o risco de o mesmo ser feito por outras pessoas.
Os memes passaram a se tornar comuns depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou um lote de produtos da fábrica localizada no interior de São Paulo. A polêmica se espalhou porque os proprietários da empresa são conhecidos pelo apego ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Eles estiveram entre os principais doadores da campanha, em 2022, com mais de R$ 1,5 milhão.
Padilha considerou os vídeos irresponsáveis. Ele afirmou que a interdição envolveu análises do setor de vigilância do estado de São Paulo, que é governado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Bolsonaro. Ainda afirmou que o diretor da Anvisa Daniel Meirelles, responsável pelo setor que suspendeu os produtos, foi indicado à agência durante o governo Bolsonaro.
“O diretor que é responsável por essa área na Anvisa foi indicado por Bolsonaro, foi assessor e secretário-executivo do ministro do governo Bolsonaro e está na Anvisa cumprindo o cargo e tendo a responsabilidade de cumprir papel técnico”, disse à imprensa.
No último dia 7, a Anvisa determinou o recolhimento de detergente, sabão líquido para roupas e desinfetante de todos os lotes da Ypê com a numeração final 1 fabricados em Amparo, no interior de São Paulo. A agência também suspendeu a produção dos produtos.
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) iniciaram uma campanha a favor da empresa nas redes sociais e acusaram a Anvisa de perseguição política. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) publicou uma foto com detergente da marca no sábado (9), enquanto o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (PL), defendeu a marca.
A inspeção foi feita durante quatro dias por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo. A decisão de suspensão foi tomada a partir de uma avaliação de risco sanitário.
“A própria empresa, no final do ano passado, chegou a identificar no seu lote a presença de uma bactéria que não deveria estar nesse produto. Toda vez que se encontra uma bactéria nesse produto é um sinal de precaução importante, porque isso pode significar contaminação em várias etapas do processo de produção”, disse Padilha
REDAÇÃO + ssm
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