Meus caros e raros. Ontem houve uma derrota de Lula, em que o Senado, desde os tempos de Floriano Peixoto, no ano de 1892, negou o acesso de um nome indicado pelo presidente da República para o Supremo Tribunal Federal. Uma derrota do governo? Sem dúvidas. Uma sinalização de que a reeleição de Lula está condenada à derrota? Não necessariamente.
Mas nós temos que considerar que a próxima eleição não vai ter o atual presidente, que tem mantido nosso país, apesar da herança maldita de seu antecessor, conseguiu tirar o país do mapa da fome pela segunda vez e que, contra todos os maus presságios das classes superiores, além de manter nosso país — que, no meu obtuso entender, é como um cavalo puro-sangue obrigado a puxar uma carroça de burro —, visto que detemos algumas potencialidades absolutamente incomuns, tais como um exuberante agronegócio: enquanto os países do Norte enfrentam a neve, estamos aqui colhendo a “safrinha”; temos a segunda maior reserva de minerais “terras raras” do mundo e somente conhecemos 40% desse potencial; metade das águas doces do mundo; parte da maior reserva de petróleo do mundo, situada na foz do Amazonas e que pode terminar no Maranhão; o pré-sal; e algumas empresas bastante bem posicionadas no mercado internacional, como a Embraer, que a Boeing rejeitou e hoje é a terceira maior fábrica de aviões do mundo.
O Nordeste, que era a região problema do Brasil, hoje é considerado a região que tem o maior potencial de crescimento na atualidade, com sua energia renovável (solar e eólica) e com sua proximidade da Europa e dos países do Norte; isso não passou fora dos olhos atentos dos chineses.
Mas o que acontece com nossa democracia, que, segundo alguns críticos, é o único sistema que eleva ao poder os que querem destruí-lo? Então, baseados em ideias preconcebidas ou cortes, simplificações e outros expedientes, vêm numa campanha de convencimento das novas — e nem tanto — gerações de que a árvore deve votar no machado que há de derrubá-la.
Então, uma sociedade como a nossa, que cada vez mais é menos atenta às ideias com mais profundidade, pois, com a comunicação em massa, se têm respostas imediatas e relativamente fáceis para problemas complexos, que, por sua própria natureza, também necessitam de serem resolvidos em toda a sua complexidade. Isso exige que a pessoa (o eleitor) tenha esse tipo de consciência, mas o que faz a extrema-direita? Oferece soluções simples para esses problemas e o faz repetindo e repercutindo. Depois, vem a eleição de supostos inimigos, que devem ser “neutralizados”: um eufemismo para evitar o termo eliminados. Convence-se essa massa de pessoas, de pouco pensamento, de que nós, e no nosso caso específico, somos cidadãos que não temos condições de nos autogovernar. O eterno “complexo de vira-latas”, tão bem definido por Nelson Rodrigues, faz com que se passe a apoiar os grandes: a subordinação ao grande capitalismo, apoiada pela grande burguesia nativa.
E, apoiada pela grande imprensa, pelo controle das redes sociais, tenta-se tomar o governo, colocando-se um dirigente vassalo aos interesses do país, fazendo, em caso de vitória, um período de atraso com a perda de um bem inestimável: nossa soberania.
O grande problema é que propaganda e ideias negativistas podem vencer eleições, mas não podem governar. Cedo ou tarde, o povo vai acordar e sentir no bolso ou na mesa a escassez consequente dessa forma de administração.
Para que não tenhamos de provar novamente aquele período obscuro, temos que acordar enquanto é tempo. E esse urge.