ACHAM-SE ACIMA DA LEI – Hugo Motta e Ciro Nogueira foram ao Caribe em jato de dono do Tigrinho e malas não passaram por raio-x na volta ao Brasil

Uma viagem de luxo ao Caribe, um jato particular pertencente ao “rei” das apostas online e cinco malas que driblaram a fiscalização aduaneira com a anuência de um servidor público federal. Este é o enredo de uma investigação da Polícia Federal que acaba de subir ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que coloca no olho do furacão o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador bolsonarista Ciro Nogueira (PP-PI). As informações são da Folha de S.Paulo.

 

O dono da aeronave que transportou os integrantes do Legislativo brasileiro é Fernando Oliveira Lima, o “Fernandin OIG”. O empresário piauiense é o nome por trás de plataformas de apostas que disponibilizam o ilegal e criminoso Fortune Tiger, o “jogo do tigrinho”, que tem sido alvo de debates intensos no Congresso e de investigações sobre lavagem de dinheiro e manipulação.

 

Cinco malas e um mistério

O ponto nevrálgico da investigação da PF, no entanto, não é apenas a carona de luxo, mas o que aconteceu no desembarque. Segundo os autos, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria autorizado que o piloto do jato, José Jorge de Oliveira Júnior, passasse com cinco volumes (bagagens) por fora do equipamento de raio-X.

Embora o Ministério Público Federal (MPF) ainda não tenha confirmado a quem pertenciam as malas, a presença de quatro autoridades com foro privilegiado no voo, além de Motta e Ciro, estavam os líderes Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), forçou o envio do caso ao STF. O MPF alertou para a possibilidade de que a continuidade das investigações revele o envolvimento direto dos parlamentares no delito ou em “outras práticas delitivas”.

Reações e silêncio

Hugo Motta admitiu que estava no voo, mas assegurou que cumpriu todos os protocolos da legislação aduaneira. Já Ciro Nogueira, Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões, assim como o empresário Fernandin OIG, não se pronunciaram até o momento.

A Receita Federal informou que sua corregedoria apura desvios funcionais em sigilo, sem confirmar se há processo específico contra o auditor Canella. Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes deu um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso.

 
O episódio levanta um questionamento inevitável sobre a ética na relação entre os chefes do Legislativo e setores que dependem diretamente de regulamentações votadas em Brasília. Em um momento em que o país discute o impacto social devastador das apostas online, ver os presidentes de partidos e da Câmara desembarcando de um jato do setor, com malas que evitam o raio-X, coloca a soberania da fiscalização brasileira sob suspeita.

 

 

REDAÇÃO + revistaforum