Iniciativas dentro das escolas têm aproximado jovens de processos democráticos e reforçado a formação cidadã desde cedo
Estudantes que ainda não atingiram a idade eleitoral já começam a compreender, na prática, o impacto de suas decisões no coletivo. Em vez de um contato apenas teórico, iniciativas educacionais promovem experiências que simulam processos de escolha. A proposta estimula o protagonismo juvenil e a responsabilidade compartilhada. Nesse contexto, a escola amplia seu papel formativo para além do conteúdo acadêmico.
O movimento acompanha uma tendência nacional de maior interesse dos jovens por temas ligados à participação cidadã. Dados do Tribunal Superior Eleitoral indicam retomada no engajamento de adolescentes de 16 e 17 anos nos últimos ciclos eleitorais. O cenário sucede um período de queda na adesão desse público. A mudança reforça a importância de iniciativas que aproximem os estudantes dessas vivências.
No Nordeste, a participação proporcional de jovens historicamente se mantém entre as mais expressivas do país. Na Paraíba, a Justiça Eleitoral tem ampliado ações educativas em escolas públicas e privadas. As iniciativas contribuem para aproximar adolescentes das dinâmicas de escolha e participação social. O objetivo é tornar o processo mais acessível e compreensível para esse público.
Em João Pessoa, alunos do Colégio Marista Pio X participaram de uma vivência que reproduz etapas de uma eleição para a escolha de lideranças de turma. A atividade envolveu desde a construção de propostas até a votação entre os estudantes. O processo contou com o uso de urnas eletrônicas em parceria com o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba. A experiência tornou o aprendizado mais concreto e conectado a situações reais.
“O objetivo do projeto é despertar o interesse pela participação política, assim como a consciência crítica nos jovens eleitores de escolas públicas e privadas da capital e região metropolitana. Através dessa ação, nós demonstramos aos estudantes a importância do voto e de seu papel como agentes transformadores”, explica o analista judiciário do TRE-PB, Diogo Alves Barbosa.
Mais do que a simulação, a proposta se destaca pelo caráter formativo no desenvolvimento dos estudantes. Ao participarem de decisões que impactam o coletivo, os alunos exercitam o senso crítico e a responsabilidade. Também desenvolvem habilidades de diálogo e escuta. Essas competências são fundamentais para a convivência em sociedade.
“A gente percebe que não é só escolher, tem que pensar no que é melhor para todo mundo. Foi diferente do que eu imaginava”, relata o estudante Gabriel Pacheco do 3ª do Ensino Médio.

A experiência também aproxima os estudantes de temas presentes na vida em sociedade. Ao discutir demandas da comunidade escolar, os jovens refletem sobre situações do cotidiano. Eles também são incentivados a propor soluções de forma coletiva. O processo fortalece o senso de pertencimento e responsabilidade.
Para educadores, iniciativas como essa ampliam o papel da escola na formação dos alunos. A proposta vai além do conteúdo acadêmico e incentiva o desenvolvimento integral. Também contribui para a formação de indivíduos mais conscientes e participativos. Trata-se de uma abordagem que valoriza o aprendizado prático aliado à reflexão.
“Quando o estudante participa ativamente, ele desenvolve senso crítico e entende que suas decisões têm impacto coletivo, algo que vai acompanhar sua trajetória dentro e fora da escola”, avalia Andressa Wolkartt, Vice-diretora Educacional da instituição.
A proposta dialoga com diretrizes da Base Nacional Comum Curricular. O documento prevê a formação cidadã como uma das competências essenciais da educação básica. Ao integrar teoria e prática, a escola amplia as possibilidades de aprendizagem. Também fortalece o papel do estudante como sujeito ativo.
Ao vivenciar situações que envolvem escolha, diálogo e responsabilidade, os estudantes constroem uma relação mais consciente com o coletivo. Esse tipo de experiência tende a refletir em diferentes contextos ao longo da vida. A aprendizagem ultrapassa o ambiente escolar e se conecta com a realidade social. Nesse cenário, a escola se reafirma como espaço estratégico de formação.
REDAÇÃO + assessoria