SANTA CATARINA – Em 24h, PM tortura jovem e agride mulher imobilizada – Vídeos expõem descontrole policial num Estado governador pela extrema direita

Um tapa no rosto de uma mulher imobilizada no chão. Um joelho pressionado contra o pescoço de um jovem algemado. Em um intervalo de menos de 24 horas, Santa Catarina foi palco de duas cenas de barbárie policial que expõem, de forma crua, o que especialistas em segurança pública vêm alertando há meses: a sensação de “liberou geral” nas abordagens da Polícia Militar do estado de Santa Catarina.

A festa que virou pesadelo no Monte Cristo

O primeiro caso escancara o tratamento diferenciado da polícia nas periferias. Na comunidade do Monte Cristo, área continental de Florianópolis, o que deveria ser a celebração de um ano de uma pequena barbearia terminou em gás, balas de borracha e agressão física.

 

A cena seguinte é o retrato do abuso: a mulher já está rendida, deitada no asfalto, com o rosto pressionado contra o chão por um policial. Ela não oferece mais risco. Ainda assim, outro policial se aproxima e disfere um tapa violento em seu rosto. Ao lado, um homem também dominado recebe uma coronhada.

A ação levanta a pergunta inevitável: uma festa de aniversário em Jurerê Internacional ou na Beira-Mar Norte seria encerrada com balas de borracha e tapas na cara de mulheres rendidas?

Tortura à luz do dia em Braço do Norte

Enquanto a capital registrava o abuso na periferia, o município de Braço do Norte presenciava uma cena que remete aos piores protocolos de violência, lembrando o caso George Floyd.

Na madrugada do mesmo sábado, em um posto de combustível, o jovem E.J.R., de 19 anos, sai de uma conveniência com as mãos para o alto, obedecendo à ordem de um policial que aponta uma espingarda calibre 12 para seu peito. Ele não reage.

Sua esposa, H.H., de 24 anos, tenta filmar a abordagem, um direito do cidadão para fiscalizar o serviço público. A resposta é brutal. Um segundo policial avança correndo, aplica uma técnica de imobilização violenta (o “tackle”) e arremessa a jovem contra uma placa de metal. Ela bate a cabeça antes de cair.

O vídeo prossegue com o horror: o jovem, já algemado e deitado de bruços, tem o pescoço pressionado pelo joelho de um policial. Não satisfeito, outro agente pisa repetidamente, com força, no tornozelo do rapaz imobilizado, um ato que não consta em nenhum manual de procedimento operacional padrão (POP), configurando, em tese, crime de tortura.

O contexto político: O “apagão” das câmeras

Esses episódios não são casos isolados, mas sintomas de uma política de segurança pública que removeu seus principais mecanismos de controle. Vale lembrar que Santa Catarina, sob a gestão do governador Jorginho Mello (PL), protagonizou o desmonte do programa de câmeras corporais da Polícia Militar no final de 2024.

Desde a suspensão dos equipamentos, justificada por supostos “problemas técnicos” e custos, mas politicamente alinhada à ideologia que vê a transparência como “entrave”, a letalidade policial disparou. Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que 2025 fechou com 96 mortes em ações policiais, um recorde que dobrou os índices de quatro anos atrás. Em Florianópolis, mortes em confrontos cresceram mais de 160% após a retirada das câmeras.

Sem o “olho digital” para inibir excessos ou proteger o bom policial, o que sobra é a palavra da farda contra a do cidadão e vídeos tremidos feitos por celulares de quem tem coragem de filmar.

O que diz a PM

Em nota padrão, a Polícia Militar de Santa Catarina afirmou que, no caso de Florianópolis, foi “hostilizada” e que houve “arremesso de copos”, justificando o uso progressivo da força. Sobre o caso de Braço do Norte, o 35º Batalhão informou que instaurará uma sindicância para apurar a conduta dos agentes.

A “apuração interna”, no entanto, é vista com ceticismo por organizações de direitos humanos, dada a ausência das imagens oficiais das câmeras corporais que poderiam confrontar as versões apresentadas.

Fontes: REDAÇÃO + revistaforum