Nome, Helena Rocha Vieira. Idade, 8 anos. Moradora de Guará, região metropolitana de Brasília.

Helena é exemplo e esperança. Exemplo de determinação. Esperança de um Brasil diferente do atual.

Mesmo num país onde seu Presidente e seu Ministro da Saúde fizeram e fazem tudo contra a aplicação da vacina na população como atrasar a compra de doses, colocar suspeitas na sua eficiência, etc, etc, etc…, Helena se vacinou.

Mais que isso, no momento de se vacinar Helena carregava um cartaz com a foto de sua mamãe, Mayara Rocha, de 33 anos, e que ficou 77 dias internada num hospital. O cartaz dizia: “Eu me vacino! Por mim e por minha mãe, que não teve a chance de se vacinar. Mayara presente! #naoeumagripezinha.”

Eis o exemplo.

Eis a esperança.

Diria mais: Helena não nos deu um, mas vários exemplos, nos seus gestos. Tomar a vacina foi o primeiro. Fazer a homenagem à mamãe que faleceu porque não teve oportunidade de se vacinar, foi o segundo. Finalizar seu cartaz com #nãoéumagripezinha, foi o terceiro. E que exemplos!
Ao tomar a vacina a pequena Helena fez-se grande. Maior, muito maior que o negacionismo de Jair Bolsonaro e raquitismo científico de Marcelo Queiroga, o Ministro da Saúde.

Ao levar consigo um cartaz de homenagem à sua mamãe, Helena expõe ao Brasil inteiro que igual a Mayara Rocha, de apenas 33 anos, outras jovens mães devem ter morrido por atraso na compra de vacina.

Mas Helena tinha ainda um recado final: #naoeumagripezinha . Um soco no estômago da ignorância daqueles que afirmavam que a gente devia deixar de “MI MI MI”, que a gente devia deixar de ser “MARICA”, daqueles que diziam “EU NÃO SOU COVEIRO”, daqueles que davam e ainda dão pouca ou nenhuma importância à vida. Principalmente à vida dos outros.

Os exemplos de Helena nos emocionam e nos trazem esperança.

A esperança de que nunca mais veremos no Brasil 620 mil pais, mães, tios, tias, avôs, avós, irmãos, irmãs, amigos, vizinhos… morrerem de uma doença para a qual existia vacina.

 

 

  • Fernando Caldeira