Dep. Pedro Cunha Lima

O deputado federal, Pedro Cunha Lima (PSDB), cobrou, na tribuna da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (19), ações mais efetivas do Governo Federal para combater os efeitos da seca na Paraíba. De acordo com ele, a transposição do Rio São Francisco custa menos que as ações emergenciais para diminuir o sofrimento causado pela seca.

“Subo a esta tribuna, de modo inaugural, que por repetidas vezes ecoou a voz não ouvida do humilde povo nordestino. Se o representante é novo, o grito de socorro envelhece e rejuvenesce já cansado no vai e vem das gerações”, disse. No discurso, o deputado declamou versos do poeta Ronaldo Cunha Lima, que em 1999 comemorava chuva no Sertão paraibano.
“É preciso ter hoje a água de amanhã. A transposição é necessária, mas não resolve o problema. Precisamos que o Governo Federal se comprometa com uma política de águas que sinta a garganta seca. A sede não espera. Aprendemos de criança a não brincar com o fogo. Já passa da hora de aprender a não brincar com água”, disse o deputado.

Pedro Cunha Lima destacou que a falta de água na Paraíba se agrava a cada dia. “Enfrentamos uma seca que tantas vezes massacra, tarda, fere e passa. E volta. Nessa condição da natureza – e parece necessário lembrar que somos menores do que ela – alternamos em um ciclo contrario à racionalidade humana que vai da apatia ao pânico, e estamos agora no pânico”, revelou.

Segundo o deputado, dos 936 munícipios oficialmente em situação de desastre, 90% estão no Nordeste. Desses, só na Paraíba são 197 decretos de emergência, o que o coloca no topo do ranking dos estados que sofrem com a falta de água.

Durante o discurso, o deputado Pedro Cunha Lima lembrou que no município de Princesa Isabel o volume do Jatobá II, açude que abastece a cidade, é de 2,5%, em Ouro Velho o açude secou. Em Soledade e Triunfo o volume é de 4,2% e em desterro secou, assim como em Santa luzia e Puxinanã secou. Em Patos, o maior açude, Farinha, está com 4,8%.

“É esse somatório que coloca 33 cidades na PB com média diária de 20 litros de água por pessoa. Vinte litros para cozinhar, lavar, tomar banho, beber e tentar preservar a dignidade que nos resta. A apatia acomoda a necessária tecnologia, aqui como conhecimento e solução instrumental. Precisamos de solução urgentíssima, urgente e imediata”, afirmou o deputado.
Pedro disse ainda que a transposição do Rio São Francisco deveria ter ficado pronta em 2012, de acordo com cronograma anunciado pelo Governo Federal, mas até hoje nenhum trecho das obras ainda funciona. “Aguardamos agora, passivamente esperando e conformadamente sofrendo, de chão rachado, a conclusão prevista para o meio de 2016”, disse.

Depois de revelar a situação de municípios paraibanos, o deputado cobrou uma ação urgente do Governo Federal. “A transposição das águas do Rio São Francisco, obra de urgência, custa menos que a emergência. Que o governo contabilize o que gastou com os flagelados e o que gastará para impedir o flagelo”, destacou.

O deputado Vitor Valim (PMDB-CE), que presidia a sessão, fez um aparte e parabenizou o tucano pelo pronunciamento. “Infelizmente, a realidade que se encontra a Paraíba é a mesma em que se encontra o meu Estado do Ceará. Dos 184 municípios, 150 vão decretar estado de emergência”, disse.