Pela primeira vez em 17 anos, mais da metade da população brasileira não tem segurança alimentar. Isso significa que a maior parte dos brasileiros não sabe se terá comida suficiente em casa, precisou diminuir o consumo ou até passou fome. As informações são do O Globo.

Segundo pesquisa feita pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), 116,8 milhões de pessoas lidam com a insegurança alimentar no Brasil atualmente.

A pandemia agravou a situação da fome no Brasil. Em 2020 havia 19 milhões de brasileiros (cerca de 9% da população) enfrentando a forma grave da insegurança alimentar, na qual a falta de alimentos, acesso econômico e social ou utilização inadequada dos alimentos leva à desnutrição. Dois anos antes, em 2018, o IBGE indicou que o número era bem menor, de 10,3 milhões de brasileiros.

Francisco Menezes, analista de Políticas e Programas da ActionAid, falou ao O Globo sobre o resultado da pesquisa: “Revela um processo de intensa aceleração da fome, com um crescimento que passa a ser de 27,6% ao ano entre 2018 e 2020. Entre 2013 e 2018, o aumento era de 8% ao ano. Chegamos ao final de 2020 com 19 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, mas podemos supor que agora no primeiro trimestre deste ano a situação já piorou ainda mais.”

O analista também falou sobre a necessidade de mudar a situação: “É urgente conter essa escalada. Não se pode naturalizar essa questão como uma fatalidade sobre a qual não se pode intervir”.

Mapa da Fome

Com os números divulgados pela pesquisa, o Brasil estaria prestes a retornar ao Mapa da Fome da ONU(Organização das Nações Unidas). A lista, da qual o país estava fora desde 2014, indica os países nos quais mais de 5% da população ingere menos calorias do que o recomendável. O levantamento da Rede Penssan indicou que 9% da população brasileira passou fome em 2020 – maior taxa desde 2004, quando alcançou 9,5%, de acordo com o Globo.

Segundo matéria publicada pelo Valor Econômico em 2020, os dados do IBGE publicados ano passado provam que o Brasil retornou ao mapa em 2018. O site entrevistou Francisco Menezes, pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), que afirmou um “grande retrocesso” no combate à fome:

“A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) já havia alertado em 2019 que o país poderia voltar a esse quadro (…) Se olharmos o montante de domicílios em segurança alimentar, vemos que voltamos ao que patamar registrado em 2004,” explicou Francisco Menezes em 2020.

Os principais afetados

Rosana Salles, uma das pesquisadoras responsáveis pelo levantamento da Rede Penssan e professora de Nutrição da UFRJ, também falou ao O Globo sobre os principais afetados pela fome no Brasil: casas onde a renda per capita é de meio a um salário mínimo, chefiadas por mulheres e por negros.

“Já tínhamos visto isso em dados de 2018. Quando a pessoa de referência de família é mulher, é negra ou tem baixa escolaridade, a fome aumente ainda mais,” explicou a pesquisadora.

Segundo O Globo, 11,1% dos domicílios chefiados por mulheres lidam com a fome – a porcentagem diminui para 7,7% no caso de homens. A insegurança alimentar grave ocorre em 10,7% dos lares de pessoas pretas ou pardas, enquanto é de 7,5% entre os brancos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: REDAÇÃO + uol