O presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Social), Gustavo Montezano, disse nesta 4ª feira (29.jan.2020) não há nada mais a se esclarecer a respeito da chamada “caixa-preta” do banco de fomento. O presidente da instituição reafirmou que as auditorias internas e externas na estatal não encontraram evidências de ilegalidade em contratos firmados nos governos anteriores. Mas também disse que a legislação permitiu a implantação do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato.

Questionado sobre o contrato de R$ 48 milhões firmado para a auditoria do BNDES, Montezano afirmou o valor foi, na verdade, de R$ 42,3 milhões, sendo que a diferença se deveria às datas distintas de conversão da taxa cambial. Inicialmente, o valor acertado era de R$ 23,4 milhões. Foi inflacionado quando a auditoria constatou que seria necessário investigar uma base de dados muito maior do que o previsto.

O banco convidou jornalistas para tratar sobre o valor do contrato firmado em 2018 que investigou irregularidades em operações envolvendo a JBS. De acordo com Montezano, a auditoria custou R$ 42,3 milhões e não encontrou evidências de descumprimento legal.

A CAIXA-PRETA

Na última 3ª feira (29.jan), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que havia “coisa esquisita” na auditoria do BNDES. “Essa auditoria começou no governo [do ex-presidente Michel] Temer e tiveram 2 aditivos. O último aditivo, parece, não tenho certeza, seria na ordem de R$ 2 milhões e [o custo total] chegou a R$ 48 milhões no final. Está errado. Está errado. Tem coisa esquisita aí”, afirmou.

Bolsonaro usou a palavra “garoto” para se referir ao presidente do banco, Gustavo Montezano, de 39 anos. Montezano disse que o apelido é “1 elogio”.

O presidente do BNDES declarou que não houve irregularidades no passado, e que o o banco não tem mais nada a esclarecer. Quando assumiu o cargo, em julho de 2019, ele disse garantir que a caixa preta da instituição seria aberta em até 2 meses. O tema não havia sido esclarecido até o momento.

Montezano disse que a legislação brasileira permitiu práticas de corrupção. “Nosso Brasil viveu 1 dos maiores esquemas de corrupção da história, turbinado com dinheiro público. Esse dinheiro saiu dos cofres do povo brasileiro. É legítimo que o povo se questione. A verdade é que a gente concluiu que não houve nada de ilegal. A gente construiu leis, normas e aparatos legais e jurídicos que tornaram legal esse esquema de corrupção“, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro foi eleito no mote contra a corrupção, e citou, durante a campanha, o BNDES como uma instituição que fomentou as práticas ilegais no país. O ex-presidente da estatal Joaquim Levy foi demitido do cargo pela demora em abrir a “caixa preta” da instituição.

CONTRATO DE AUDITORIA

O presidente do BNDES foi questionado sobre o valor de contrato de auditoria firmado pelo banco. Havia a informação, na imprensa, de que o custo chegou a R$ 48 milhões. Montezano afirmou, porém, que o valor foi de R$ 42,3 milhões. A diferença, segundo ele, se deve às datas distintas de conversão da taxa cambial.
Segundo Montezano, o custo firmado em 2018 era de R$ 23,4 milhões. O valor foi acertado pela diretoria e pelo conselho de administração, do qual o presidente da instituição não fazia parte.

Em 2018, durante a gestão Michel Temer, a auditoria verificou que seria necessário investigar uma base de dados muito maior do que o previsto inicialmente.

Dados do banco mostra que o número de documentos analisados passaria de 250 mil para 340 mil, e o tamanho em gigabytes passaria de 1.350 Gb para 3.542 Gb. O esforço maior de investigação aumentou o custo em R$ 5,1 milhões.

Em julho de 2019, sem Montezano ainda ter sido empossado como presidente do BNDES, a estatal aprovou o aumento do escopo da auditoria para abarcar informações levantadas pela Operação Bullish e pelas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) do Congresso Nacional.

Por isso, houve outro adicional de R$ 11,9 milhões ao custo do contrato. Depois que assumiu, Montezano ainda elevou o contrato em R$ 2,3 milhões para que a auditoria KPMG acompanhasse os trabalhos da investigação externa.

O contrato foi firmado ao escritório Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP, que é estrangeiro, e ao escritório brasileiro Levy & Salomão. Segundo a diretoria do BNDES, ambos renomados no mercado.

O valor do contrato é investigado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que deu prazo de 20 dias para o BNDES se explicar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fontes: poder360 + REDAÇÃO