Não é só para proteger os tucanos de alta plumagem que Gilmar Mendes se movimenta cada vez mais confrontar juízes e procuradores.

Hoje, o juiz do STF dá continuidade em artigo publicado na Folha às críticas iniciadas no debate com Sérgio Moro no Senado a uns 15 dias atrás.

No artigo, Gilmar Mendes faz o mais bem acabado ataque a juízes e procuradores, a quem acusa de formarem uma “República corporativa” que reagem ao “menor interesse contrariado” para manter “benesses do Estado”.

Mendes ainda ressalta que a importância que essas “categorias” ganharam no Brasil é “inimaginável em países civilizados”.

O que une mais o Congresso, hoje, incluindo aí, mesmo que por motivos distintos, o próprio PT, a principal vítima da captura do Estado brasileiro por essas corporações judiciárias?

Nenhuma liderança dos partidos que formam a base de apoio do governo Temer é capaz de, de peito aberto, enfrentar hoje esse debate público contra juízes e procuradores.

No meio político, com exceção de alguns corajosos parlamentares, como Roberto Requião, e de lideranças políticas, como Ciro Gomes, poucos são aqueles que podem se lançar às críticas ao meio judiciário sem que recebam em troca, através da mídia, ataques e ilações sobre atos de corrupção.

Só mesmo um juiz, mesmo que reconhecido militante político, insuspeito anti-petista e aventureiro que despreza as instituições, seja capaz, talvez por isso mesmo, de enfrentar a tarefa que Romero Jucá definiu como “pacto nacional” que deveria envolver até o STF com o objetivo de “parar tudo” e “delimitar” as investigações no PT e em Lula.

São esses os sinais que Gilmar Mendes emite desde que Dilma caiu para senadores e deputados, a ampla maioria enredada nos esquemas corruptos que resolveram chamar de “caixa dois” para dar a ideia de que se tratava de financiamento de campanha – caixa dois pode servir para qualquer coisa, especialmente para enriquecimento ilícito.

Caso Temer caia, como tudo indica, Gilmar Mendes pode aparecer, inclusive como um Tertius, capaz de unir o Congresso.

Apoio da Rede Globo ele teria.

 

* Flávio Lúcio – Prof. UFPB (Cientista Político)