*FLÁVIO LÚCIO VIEIRA

Um modelo de jornalismo prospera na Paraíba: o jornalismo de esgoto que, diariamente, distribui a porção de carniça a um publico cada vez mais parecido com uma matilha de lobos esfomeados querendo sempre mais.

Talvez nenhuma profecia tenha se realizado com tamanha verossimilhança, como a que Joseph Pulitzer fez sobre o jornalismo contemporâneo, segundo a qual, “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.

E, antes que esse mesmo “público” formado por essa imprensa comece a vociferar, acusando Politzer de “comunista”, eu devo informar − se é que isso faz alguma diferença − que ele foi um rico empresário proprietário de jornal.

No fim da vida, Politzer doou parte de sua herança à Universidade Columbia para que lá fosse criado uma escola de jornalismo e o mais importante prêmio do jornalismo mundial, o Prêmio Politzer, da mesma universidade. Politzer ansiava por um jornalismo, segundo ele, “verdadeiramente democrático, dedicado à causa do povo e não àquela dos potentados da bolsa.” Ah, Politzer morava em Nova York.

A realização da profecia de Politzer é também a realização de uma amarga derrota, para ele e para o jornalismo. Obvio que muitos bons jornalistas ainda resistem, mas o jornalismo que predomina hoje é o jornalismo dos “potentados da bolsa”, dos bancos, da Fiesp, e das empresas de comunicação tão familiares quanto ainda é a nossa política − daí a identidade desses grupos econômicos com o que há de pior na política, paraibana e brasileira.

Nada que brota da terra cultivada por essa gente pode, um dia, se transformar num jardim verdejante. Tudo está destinado a secar, a morrer tristemente, para que apenas seus interesses mesquinhos sobrevivam, para que continuem de pé os altos muros de concreto que eles ergueram para manter à distância os mais pobres, a quem desprezam visceralmente.

Por isso, não tenham dúvida: os mesmo que tentaram − TENTARAM − destruir Lula são os mesmo que tentam hoje destruir Ricardo Coutinho na Paraíba. São parte de uma mesma engrenagem que, em última instância, desejam manter os mais pobres acorrentados à pobreza e à submissão, através da desinformação.

Não foi por acaso que essa máquina que tenta moer a reputação de Ricardo Coutinho, uma máquina azeitada com dinheiro público − notem que todos eles bradam, como todo moralista sem moral, contra a corrupção − foi colocada em movimento com uma intensidade quase desesperada após as eleições de 2018, depois que o ex-governador Ricardo Coutinho aplicou-lhes mais uma surra eleitoral.

Não, de novo não se enganem. Assim como ajudou a derrubar Dilma Rousseff para colocar Michel Temer na Presidência, com a ajuda de Eduardo Cunha e dos mais de 300 picaretas que ainda mandam no Congresso, essa turma não está interessada em combater a corrupção. Nem com uma Paraíba melhor. Estão como sempre preocupados com eles mesmos.

Fosse assim, não apoiariam Cássio Cunha Lima, Luciano Cartaxo, Romero Rodrigues, não serviriam na imprensa ao familismo empresarial.

E, quanto mais 2020 se aproximar, sobretudo em João Pessoa − o último bastião confiável do bolsonarismo paraibano, porque a prefeitura de Campina Grande está virtualmente quebrada, − mais os ataques contra Ricardo Coutinho recrudescerão.

Porque o que eles querem é destruir a reputação de honestidade, de bom administrador e de compromisso com um Estado menos familiar e menos oligárquico, que dê voz aos mais pobres, que olhe para eles, que os inclua, que Ricardo Coutinho cultivou ao longo de uma carreira política de mais 20 anos, 14 dos quais administrando a Prefeitura de João Pessoa e o Governo da Paraíba. Nada é por acaso.

Que ninguém se engane, que não caia de novo no canto da sereia que levou nosso país ao abismo em que hoje se encontra. Na Paraíba, assim como no Brasil, a maioria tem muito a perder.

* CIENTISTA POLÍTICO